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Como Santiago se tornou líder global em ônibus elétricos

Este blog foi escrito por Jone Orbea, Gerente de Eficiência Urbana e Clima do WRI Ross Center for Sustainable Cities, e publicado originalmente no TheCityFix.


A eletrificação do transporte decolou em todo o mundo. Cidades e agências de trânsito estão experimentando as últimas tendências e inovações, que vão desde carros a ônibus, scooters e bicicletas.

A China assumiu a liderança em veículos elétricos nos últimos anos, com a cidade de Shenzhen se tornando a primeira a eletrificar toda a frota de ônibus públicos no final de 2018. Mas um novo líder está surgindo: Santiago, no Chile.

Em dezembro, 100 novos ônibus elétricos chegaram a Santiago e começaram suas operações. No próximo ano, o Chile deverá ter a segunda maior frota de ônibus elétricos do mundo depois da China, com mais de 200 veículos operando em Santiago. E uma nova licitação está em desenvolvimento para fornecer incentivos para a implantação de aproximadamente mais 500 ônibus públicos elétricos na cidade até 2020.

Como Santiago mudou o curso das coisas tão rapidamente? Três fatores abriram o caminho para um aumento de ônibus elétricos:

Oferta abundante de minerais importantes

No balanço da equação, o Chile tem várias vantagens na oferta. É o maior produtor de cobre do mundo, respondendo por cerca de 27% da quantidade total extraída a cada ano no planeta. O cobre é uma matéria-prima muito importante para os ônibus elétricos, que consomem três vezes mais do que os ônibus convencionais – quase 370 quilos em alguns ônibus – em função do tamanho das baterias.

O Chile é também o segundo maior produtor mundial de outro importante material usado em baterias de ônibus elétricos: o lítio. Enquanto alguns países, como os Estados Unidos, se preocupam com o domínio do mercado de lítio na China, o Chile tem pouco com o que se preocupar, com alta produção e as maiores reservas mundiais do mineral.

Políticas públicas robustas

O Chile assumiu fortes compromissos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa no âmbito do Acordo de Paris, e o setor de transportes é importante para a mitigação de emissões, responsável por 29% das emissões de CO2 do país em 2013. O Transantiago – sistema de ônibus de Santiago – gera mais da metade de todo o NOx na capital chilena e 450 mil toneladas de CO2 por ano. A concentração média de material particulado em Santiago em 2015 também foi mais do que o dobro do nível considerado seguro pela Organização Mundial de Saúde.

Em parte por causa de seus objetivos climáticos, mas também para atender às preocupações com a qualidade do ar, em 2017 o governo chileno publicou uma Estratégia Nacional de Eletromobilidade. A estratégia, preparada em conjunto pelos ministérios de Energia, Transportes e Meio Ambiente, apresenta cinco pilares para liderar a transição do país para os veículos elétricos. Até 2050, a meta é que pelo menos 40% dos veículos particulares e 100% dos veículos de transporte público sejam elétricos.

As metas climáticas do Chile e o forte compromisso nacional com os veículos elétricos fornecem ao país – com Santiago na liderança – uma base sólida para adoção ampla e rápida.

Modelo de negócio inovador através do diálogo multissetorial

Chegar a esse ponto exigiu uma forte colaboração com participação de vários níveis de governo e indústrias. Em 2016, foi formado um consórcio de atores públicos, privados, da sociedade civil e de pesquisadores para promover a mobilidade elétrica no Chile. O consórcio continua operando até hoje, com coordenação entre os atores relevantes para avaliar as barreiras de implementação, desenvolver estratégias industriais para impulsionar os suprimentos de veículos elétricos e ser uma plataforma de inovação tecnológica.

A maior empresa de serviços públicos do Chile, a Enel Chile, por exemplo, desenvolveu o novo modelo de negócios de ônibus elétricos do Transantiago em conjunto com uma operadora de ônibus. Os 200 ônibus elétricos da cidade foram comprados de diferentes fabricantes chineses por duas concessionárias e serão alugados para os operadores de ônibus, parcialmente pagos com tarifas de usuários e parcialmente cobertos pelos subsídios de transporte público existentes.

O ambiente economicamente liberal do Chile impulsionou a inovação nos negócios, oferecendo uma ampla gama de oportunidades financeiras e econômicas. Em 2016, o país importou US$ 57,5 bilhões de mercadorias, com saldo comercial positivo. O Chile promoveu o investimento privado e possui um forte sistema financeiro.

Esse ambiente de mercado levou à inclusão de indústrias que tradicionalmente não faziam parte do setor de transporte no aumento de veículos elétricos do Chile, como empresas de serviços públicos, e incentivou novos modelos de negócios e parcerias que tornam projetos complexos de eletromobilidade menos complicados.

A nova licitação de ônibus elétricos do Transantiago, por exemplo, separa os gastos de capital e as despesas operacionais entre os diferentes prestadores de serviços, de modo que o operador não precisa cobrir toda a carga financeira e técnica das novas tecnologias. Isso está seguindo uma abordagem semelhante à do recente processo de aquisições de Bogotá para substituir sua frota de ônibus antiga.


Os fortes fundamentos do Chile ajudaram a tornar Santiago uma pioneira dos ônibus elétricos na América Latina e no mundo. Recursos naturais abundantes, uma estratégia nacional clara, o envolvimento das principais partes interessadas e uma economia dinâmica acrescentam outras vantagens. A nova licitação do Transantiago pode colocar até 500 ônibus elétricos a mais nas ruas nos próximos dois anos, respondendo por cerca de 10% da frota total de ônibus da cidade. O modelo é uma grande promessa para a capital do Chile e pode ser um guia para outras cidades seguirem o exemplo.

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