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A Mata Atlântica renasce

Com informações reproduzidas do Observatório do Clima.

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O maior esforço já feito de mapeamento da cobertura vegetal e uso do solo no Brasil apresentou uma boa notícia nesta sexta-feira (28): a Mata Atlântica passa por um renascimento, tendo ganho 2,5 milhões de hectares (o equivalente a quase o território da Bélgica) de 2001 a 2015.

Os dados são inéditos e foram revelados pela segunda coleção de mapas do MapBiomas (Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo no Brasil). A iniciativa foi lançada em 2015 pelo Observatório do Clima em parceria com 18 instituições, entre universidades, empresas de tecnologia e organizações não governamentais.

O evento, realizado nesta sexta-feira (28) em Brasília, mostrou como o território brasileiro se transformou ao longo do século XXI, com imagens de satélite que vão de 2000 a 2016.

O WRI Brasil é uma das ONGs que colaboram com o MapBiomas. O associado de pesquisa de SIG do WRI Brasil, Marcelo Matsumoto, destaca a importância de existir um sistema complexo de análises.

“O mapa permite rastrear a dinâmica de uso do solo e a cobertura vegetal em uma determinada região. Hoje, não há informação anual assim para todos os biomas. Ao final do projeto, os dados irão de 1985 a 2017. O volume de informação a ser gerado pelo projeto é extremamente relevante e poderá orientar diferentes políticas públicas sobre a dinâmica de uso e cobertura vegetal no pais”, destacou Matsumoto, que atua no MapBiomas.

A nova série de mapas permitirá pela primeira vez acompanhar a evolução da ocupação do território em todos os biomas brasileiros ao mesmo tempo – hoje essa informação só está disponível para a Amazônia e a Mata Atlântica e, de dois em dois anos, para o Pantanal – e calcular com maior precisão as emissões de gases de efeito estufa dele resultantes.

Também possibilitará saber a quantidade de áreas de floresta se regenerando no Brasil, informação crucial para monitorar o cumprimento das metas nacionais no Acordo do Clima de Paris (a NDC).

A volta gradual da mata atlântica é um exemplo. O bioma, que teve sua cobertura original reduzida a 12,5%, cresceu de 276 mil quilômetros quadrados em 2001 para 301 mil quilômetros quadrados em 2015.

“Não é que exista uma grande área de recuperação; são áreas pequenas, que foram abertas no passado para agricultura ou pastagem e foram abandonadas ou por serem inadequadas (relevo, solo, isolamento, etc.) e não sustentar atividades agropecuárias, ou por causa da migração da população rural para as grandes cidades, ou para atender a Lei da Mata Atlântica, de 2006, que estabeleceu proteção especial ao bioma. Essas florestas estão começando a voltar, em parte naturalmente e, em partes isoladas, induzidas por diversas iniciativas”, disse Marcos Reis Rosa, da ArcPlan, coordenador de Mata Atlântica e Pantanal do MapBiomas.

O crescimento de florestas secundárias na Mata Atlântica está longe de significar que o bioma esteja a salvo: o desmatamento nas matas primárias permanece, em taxas relativamente menores, mas ainda inaceitáveis para um bioma do qual já resta pouco de cobertura original. Mesmo assim, trata-se de uma boa notícia, já que florestas secundárias sequestram carbono (mitigando a mudança do clima), protegem fontes de água e criam corredores entre fragmentos.

Para gerar os mapas de todo o país, o MapBiomas trabalhou em rede, com especialistas da academia, do setor privado e de organizações ambientais. O projeto também usou a computação em nuvem a partir da plataforma Earth Engine, do Google – a mesma que alimenta o Google Earth –, numa parceria estabelecida em 2015.

“Tecnologicamente, a parceria com o Google foi o pulo do gato. A computação em nuvem permite gerar mapas anuais de forma automatizada, mais barata e muito mais rápida”, explicou Tasso Azevedo, do Observatório do Clima/SEEG, coordenador geral do MapBiomas. “Isso não substitui outros sistemas de monitoramento, mas complementa-os, para dar um quadro mais completo de como nosso território vem se transformando”, disse.

Nem tudo são flores

Outras áreas tiveram resultados negativos entre 2001 e 2015. O país perdeu 20% de sua área de manguezais, em parte destruídos pela expansão urbana. O Pantanal, bioma brasileiro mais preservado, assiste a uma conversão da vegetação natural, onde o uso de pastagens naturais é alterado para pastagens plantadas com vegetação exótica – 13% área (incluindo gramíneas e florestas) virou pasto no mesmo período. E o Cerrado, o segundo maior bioma brasileiro e palco principal da expansão da nossa fronteira agrícola, teve perdas três vezes mais elevadas proporcionalmente do que a Amazônia.

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Os dados, mapas e estatísticas do MapBiomas estão disponíveis em www.mapbiomas.org.

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