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A taça da restauração das florestas pode ser nossa

A Copa do Mundo de futebol acontece este mês na Rússia e todas as atenções no Brasil se voltam para os jogos da primeira fase, com a nossa Seleção enfrentando Suíça, Costa Rica e Sérvia. Na bola, a equipe brasileira é franca favorita. Mas qual seria o cenário se a Copa fosse pela restauração das florestas do planeta?

Nesse contexto, a Seleção seria a zebra do Grupo E. Dados do Banco Mundial mostram que, entre Brasil, Suíça, Costa Rica e Sérvia, o nosso país é o único que ainda desmata mais do que refloresta. Nos outros três países, a tendência de cobertura florestal é crescente. Eles já entendem a restauração de paisagens como crucial para a resiliência ambiental e o crescimento econômico justo no campo.

Na Copa da restauração, a Suíça seria um páreo duro. Um país relativamente pequeno – menor que o estado do Rio de Janeiro – tem uma cobertura florestal maior do que a do Rio. As florestas cobrem 29% do território suíço, contra 19% do fluminense. A estratégia usada pela Suíça vem de sua Lei de Proteção das Águas, de 1991. Ela permite investimentos públicos de US$ 44 milhões por ano para recuperar as margens de rios degradadas. Esse recurso também pode ser usado para conceder pagamentos compensatórios para proprietários rurais que perderam área de produção com o plantio de florestas. Com isso, os suíços conseguem viabilizar a agricultura, produzindo de forma saudável para toda sociedade e aumentando a proteção de nascentes e rios.

A Costa Rica pode não ter tradição no futebol, mas é um gigante na restauração de florestas. O país saiu de uma cobertura florestal de 2%, na década de 1980, para 48% de seu território, no cálculo mais recente. A tática costarriquenha começou com deduções fiscais para produtores que restauravam áreas degradadas, que posteriormente evoluiu para o mais bem-sucedido programa de Pagamento por Serviços Ambientais do mundo, uma modalidade de recompensa financeira aos proprietários rurais que protegem ou recuperam as florestas.

A Sérvia tem um dilema diferente quando se fala em restauração de florestas. Devastadas pela Segunda Guerra Mundial, as áreas degradadas do país perderam a capacidade de se regenerar naturalmente. Por isso o governo investiu na restauração de mais de 1,3 milhões de hectares, dos quais apenas 170 mil hectares se transformaram em floresta de fato. Foi um trabalho arriscado, pois além do plantio de árvores, os sérvios tiveram que lidar com destroços, minas terrestres e artefatos explosivos. Mesmo com todas as dificuldades, o país registrou aumento de 5% de sua cobertura florestal em 2009, em comparação com inventários da década de 1970.

Mas o Brasil pode assumir uma posição de favorito nessa Copa. Nosso Neymar é a regeneração natural. Um estudo conduzido pelo Ministério do Meio Ambiente indica que mais de 6 milhões de hectares poderiam ser regenerados naturalmente, um potencial ainda pouco explorado no nosso país. E podemos aprender com o esquema tático dos adversários. Como a Suíça, podemos restaurar nossas áreas produtoras de água; temos algumas iniciativas de Pagamentos por Serviços Ambientais similares às da Costa Rica com margem para serem ampliadas; e temos a vantagem da regeneração natural, o que nos coloca à frente da Sérvia. O Brasil da restauração tem um time forte e cheio de talentos. Se conseguir cumprir sua meta, que é restaurar 12 milhões de hectares até 2030, poderá se tornar o grande campeão.

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