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As ações de Fortaleza para se tornar uma referência brasileira em segurança viária

Ao logo de pelo menos uma década, entre 2004 e 2014, a capital do Ceará registrou uma média de 350 mortes no trânsito a cada ano. Os números alertaram a cidade, que desde então tem implementado uma série de ações para promover a mobilidade sustentável e a segurança viária.

Novas ciclovias e faixas exclusivas de ônibus, áreas de trânsito calmo (veja na foto abaixo), gestão dos limites de velocidade, mais espaço para os pedestres, carros elétricos compartilhados – Fortaleza não está medindo esforços para tornar as ruas mais seguras e ser uma referência brasileira em segurança viária. E o trabalho está gerando resultados: em 2017, foram registradas 256 fatalidades no trânsito – uma queda de 9% em relação ao ano anterior. Considerando a taxa de mortes a cada 100 mil habitantes, a redução é de 35% desde o início da Década de Ação pela Segurança no Trânsito da ONU, em 2011.

Agora, no mês que marca os movimentos e ações por um trânsito mais seguro, a cidade anunciou uma nova leva de mudanças para evitar mortes em suas vias. Uma das principais será na Avenida General Osório de Paiva, uma das vias mais críticas de Fortaleza no que tange a ocorrência de acidentes de trânsito, conforme um diagnóstico realizado pela prefeitura. Entre as vias sob jurisdição municipal, a Osório de Paiva é a que mais registra acidentes fatais: nos últimos dez anos, 129 pessoas perderam a vida na avenida, e mais de metade dessas mortes foram de pedestres e ciclistas.

As intervenções previstas vão abranger um trecho de aproximadamente seis quilômetros da avenida, entre o Terminal do Siqueira e o anel viário. Essa parte da via será sinalizada e receberá uma faixa exclusiva para ônibus, e o limite de velocidade, hoje de 60 km/h, será reduzido para 50 km/h. Também estão incluídos no projeto:

  • implantação de uma nova ciclofaixa, com 1,1 km de extensão, e a requalificação dos 6 km já existentes;
  • implantação de sete semáforos, um deles exclusivo para pedestres;
  • redesenho da via nos pontos críticos de acidentes;
  • readequação dos retornos;
  • requalificação e paisagismo do canteiro central.

Um projeto piloto semelhante na Avenida Leste Oeste, outra área de Fortaleza que concentrava um alto número de acidentes de trânsito, resultou em uma redução de 37% nos chamamentos para acidentes. A experiência positiva reforçou a importância de replicar o modelo em outras vias críticas da cidade. Assim, foram planejadas as mudanças para a Osório de Paiva, que serão testadas por um período de seis meses – e as obras já começaram.

As ações de Fortaleza contam com o apoio técnico do WRI Brasil e da Iniciativa Global em Segurança Viária da Bloomberg Philanthropies, da qual a cidade faz parte desde 2015.

<p>segurança viária em Fortaleza</p>

Em abril deste ano, a equipe de Segurança Viária do WRI Brasil esteve em Fortaleza e realizou testes preliminares de algumas mudanças utilizando cones (Foto: Rafaela Machado/WRI Brasil)

O que ainda vem por aí

As alterações anunciadas para a avenida Osório de Paiva foram definidas a partir de recomendações técnicas do WRI Brasil e são o resultado de um trabalho que teve início há cerca de dois anos. Nesse período, a equipe de Segurança Viária do WRI Brasil realizou duas auditorias na via. A primeira delas, em 2016, avaliou as condições de segurança da infraestrutura cicloviária ao longo de seis quilômetros da avenida. Em outubro do ano passado, novos pontos foram analisados: as interseções com as ruas Raimundo Neri e Luiz Vieira e a área em frente ao Terminal Siqueira.

Em paralelo às mudanças na Osório de Paiva, a capital cearense também trabalha no desenvolvimento de seu Plano de Segurança Viária, que será baseado na abordagem Sistemas Seguros. O conceito parte da premissa de que as pessoas cometem erros, são vulneráveis e, portanto, as vias devem ser desenhadas de forma a evitar que esses erros resultem em acidentes fatais. Dessa forma, um plano concebido a partir dessas premissas promove uma mudança de paradigma – com a ênfase não mais nas falhas humanas, mas na prevenção das mortes no trânsito através de uma abordagem sistêmica de planejamento urbano e gestão da mobilidade.

Outras frentes de atuação de Fortaleza são o Plano de Caminhabilidade, que visa melhorar os deslocamentos a pé a partir de qualificações nas calçadas, sinalização, paisagismo e iluminação; uma intervenção temporária no Mercado dos Pinhões, semelhante à já realizada na Cidade 2000; além de ações para promover a segurança dos pedestres e dos usuários do transporte coletivo – em 2016, segundo dados Prefeitura, uma pessoa por dia em média foi vítima de acidente envolvendo ônibus.

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