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Ruas completas como solução para os patinetes elétricos e futuras inovações

Esse artigo foi postado originalmente em inglês no TheCityFix.


No último ano, os patinetes (ou scooters) elétricos surgiram nas ruas de algumas das maiores cidades da América, encantando muitas pessoas, mas também surpreendendo e confundindo pedestres e motoristas que não sabem ao certo como lidar com eles. Eles pertencem à rua, como bicicletas e carros, ou à calçada?

Em um vídeo para a Vox, Carlos Waters destaca as maneiras pelas quais os patinetes elétricos desafiam o desenho urbano convencional, incluindo o direito à calçada e o planejamento das ruas, e sugere a implementação de Ruas Completas como solução.

Quem tem o direito às calçadas?

Calçadas desempenham um papel especial nas cidades; são lugares de expressão pública, manifestação, arte e comércio. Mas, sem dúvida, sua principal função, pelo menos desde o início do uso do automóvel, é separar o deslocamento de pedestres dos veículos motorizados. Este é um papel importante – mais de 1,25 milhão de pessoas morrem em colisões de veículos por ano, a maioria pedestres, ciclistas ou motociclistas – e a segurança está sendo cada vez mais prejudicada à medida que as calçadas ficam mais cheias.

Seja transitando ou ocupando espaço, os patinetes elétricos estão desafiando a visão comum da calçada compartilhada e do espaço da rua. Como Waters aponta, o espaço na calçada disponível para os pedestres é enganoso. Grande parte das calçadas urbanas possuem faixas de transição e faixas de serviço. A faixa de transição é o espaço na calçada para acomodar o mobiliário dos estabelecimentos comerciais e tornar o acesso às edificações mais confortáveis. A faixa de serviço abrange o espaço entre a calçada e a rua. Isso é dedicado a bancos, árvores, paradas de ônibus, latas de lixo, bancas de jornais e muito mais.

Quando você soma as faixas de transição e as de serviço, não resta muito espaço para a faixa livre na maioria das calçadas da cidade. E agora esse espaço "livre" pode se tornar mais congestionado do que nunca.

Ruas Completas

Waters sugere que muitas cidades precisarão reconstruir espaços para acomodar os patinetes elétricos e outros novos modos de transporte, e aponta para o conceito de Ruas Completas como uma solução. Ao estreitar as faixas de tráfego, alargar as calçadas e introduzir áreas dedicadas para bicicletas e pedestres, as ruas da cidade podem se tornar mais seguras e acessíveis.

As ruas completas permitem que as cidades se aproveitem dos benefícios dos patinetes elétricos – incluindo o aprimoramento da “conectividade de última milha” para o transporte público e a potencial redução do congestionamento de carros – enquanto incorporam esses novos veículos à paisagem urbana com segurança.

Segurança é uma grande preocupação. Em Washington, D.C., onde há várias empresas de patinetes elétricos operando, um homem viajando por uma rotatória movimentada em um patinete foi atingido por um carro e morto no mês passado. Ele foi a primeira morte desse tipo nos Estados Unidos, mas muitos temem que não seja o último. O total de mortes relacionadas ao trânsito na área de D.C. está aumentando, com 27 mortes até o momento em 2018 – incluindo 14 pedestres e ciclistas – em comparação com 24 no mesmo período do ano passado.

Quando se trata de carros, sabemos por décadas de experiência que a velocidade é o fator mais importante a ser controlado para melhorar a segurança no trânsito. Se um pedestre for atropelado por um carro a 30 km/h por hora, há 10% de chance de o pedestre morrer. As chances de fatalidades ocorrerem aumentam para 85% quando o carro está a apenas 20 km/h mais rápido.

Os patinetes elétricos podem chegar a mais de 20 quilômetros por hora, o que é extremamente rápido para as calçadas da cidade, mas eles também são vulneráveis a veículos motorizados, assim como pedestres e ciclistas. Embora ainda não tenhamos os dados para entender completamente como os patinetes estão afetando a segurança nas ruas das cidades, é seguro dizer que é necessário encontrar novas maneiras de incorporá-las aos projetos viários – até mesmo ruas completas. As cidades precisam projetar ruas para todos os usuários.

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