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Como avaliar o retorno financeiro da restauração de florestas nativas?

O Brasil tem uma indústria consolidada de florestas plantadas, como por exemplo para papel e celulose. São empresas de ponta que conhecem todo o processo do plantio de uma árvore exótica - quanto tempo leva para crescer, quais os cuidados básicos, quantos metros cúbicos de madeira essas árvores resultam, qual o retorno financeiro que elas podem dar.

Todo esse conhecimento técnico e econômico, porém, é mais comum para espécies exóticas do que para nativas. O Brasil ainda sabe pouco sobre como plantar e produzir com espécies da Mata Atlântica ou da Amazônia, e nossa sociedade quase não investe em nativas. Parte da dificuldade para atrair investimentos ocorre porque o desconhecimento sobre tempo de crescimento ou quanto de madeira uma determinada espécie nativa pode prover torna difícil para investidores avaliarem os riscos e oportunidades da restauração com nativas. E essa restauração hoje é mais importante do que nunca: o Brasil se comprometeu a restaurar 12 milhões de hectares de florestas para combater as mudanças climáticas. Para cumprir essa meta ousada, será preciso contar com todas as opções de restauração.

Como convencer os investidores de que a restauração com nativas pode ser um bom negócio?

A ferramenta VERENA

A melhor forma de convencer um financiador é falar a língua que ele entende: a das análise financeiras, da avaliação de preços e custos e até do conhecimento sobre impostos e preço da terra. O WRI Brasil, em parceira com a UICN, criou uma ferramenta que permite analisar os retornos financeiros de várias formas diferentes de restauração, como reflorestamento usando uma ou múltiplas espécies ou os Sistemas Agroflorestais (SAFs), que combinam florestas com lavoura e pecuária.

Essa ferramenta foi criada usando como modelo doze casos de empresas e produtores rurais bem-sucedidos em produção de espécies nativas brasileiras para fins econômicos. Os doze casos estão entre as experiências mais maduras e de larga escala encontradas no pais. São empresas localizadas em diferentes regiões, desde a Amazônia paraense até o interior de São Paulo, passando pela Mata Atlântica do sul da Bahia. E com uma vasta experiência em produção de nativas, incluindo o paricá, uma árvore para a produção de madeira, ou sistemas florestais envolvendo café ou cacau.

Confira a ferramenta na íntegra neste link.

Criando uma nova indústria de nativas

A ferramenta foi o primeiro passo para avaliar financeiramente iniciativas interessantes de plantio de árvores nativas para fins econômicos no Brasil. Com a aplicação desses modelos, por exemplo, foi possível fazer uma rodada de investimentos no ano passado, quando a Iniciativa 20x20 e o WRI Brasil colocaram investidores e empresas na mesa. Os produtores e empresários apresentaram suas ideias na busca de investimentos. Mais recentemente, uma equipe de pesquisadores brasileiros visitou iniciativas de Sistemas Agroflorestais no Peru, também para entender como alavancar recursos para a restauração de nativas, desta vez com foco em SAFs de cacau. Com análises econômicas cuidadosas, é possível mostrar para investidores que investir em florestas é viável e, desta forma, criar uma indústria florestal para o plantio de espécies nativas brasileiras.

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