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Dados de emissões de CO2 do Brasil mostram oportunidades para nossas cidades e florestas

O Observatório do Clima divulgou, na última semana, a mais recente atualização dos dados do Seeg, o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa, em evento em São Paulo. Os dados, referentes a 2017, mostram a atual situação do Brasil na emissão de gases que contribuem para o aumento das médias de temperatura do planeta. Eles apontam para um sinal de alerta na política climática brasileira, já que a redução de emissões está estagnada. Ao mesmo tempo, traz vários sinais de otimismo, com oportunidades para a restauração florestal e para a construção de cidades mais sustentáveis.

Segundo os dados do Seeg, o Brasil emitiu em 2017 cerca de 2 bilhões de toneladas de gases equivalentes ao dióxido de carbono (tCO2e). Isso representa pouco mais de 2% de todas as emissões de gases de efeito estufa do mundo, colocando o Brasil como o sétimo maior emissor do planeta. O setor que mais emite é o de mudança do uso da terra, ou seja, o desmatamento das nossas florestas. Quase a metade (46%) das emissões brasileiras foi de desmatamento, seguido por 24% de emissões das atividades agropecuárias e 21% do setor de energia e transporte.

Comparando os números de 2017 com os de 2016, vemos uma pequena oscilação das emissões, com uma redução de 2%. Porém, segundo Tasso Azevedo, do Observatório do Clima e do programa MapBiomas, essa oscilação não indica queda nas emissões. Em vez disso, uma análise das estimativas anuais mostram que o Brasil está estagnado na redução de emissões desde 2010.

“A boa notícia é que, no ano passado, o Brasil estava com o mesmo nível de emissões de 1990. É um resultado notável para um país em desenvolvimento, já que todos os grandes países em situação similar ao Brasil estão aumentando emissões”, diz Tasso Azevedo. “Já a má notícia é que, mantendo essas taxas anuais, o Brasil corre risco de sair da trajetória do cumprimento de suas metas do clima”. Segundo Tasso, há uma forte possibilidade de que o Brasil não cumpra as metas para 2020 estabelecidas na Política Nacional de Mudanças do Clima.

A batalha pelo clima se dará nas cidades

Uma das grandes inovações das estimativas deste ano foi a apresentação de números na esfera municipal. Por enquanto, o Seeg estimou as emissões para os mais de 600 municípios do estado de São Paulo, e a ideia é expandir esse escopo nos próximos anos. Mas os dados já mostram um panorama interessante. A capital, São Paulo, emite sozinha cerca de 20 milhões de tCO2e - se fosse um estado brasileiro, a cidade de São Paulo seria o oitavo maior emissor. O segundo e terceiro municípios que mais emitem são Paulínia, por conta de uma refinaria de petróleo, e Cubatão, que tem um grande complexo industrial.

O Seeg decidiu estimar emissões na esfera do município porque há um crescente protagonismo das prefeituras no combate às mudanças climáticas. A própria ONU reconhece isso, com uma famosa frase da secretária-geral da Convenção do Clima (UNFCCC), Patricia Espinosa, em que ela diz que é nas cidades que a batalha climática será vencida ou perdida.

Para as cidades, o maior potencial de redução está no setor de transportes. O Seeg mostra que, em todo o país, os automóveis individuais emitem três vezes mais poluição do que os ônibus para transporte público. Incentivos para novas formas de mobilidade nas cidades brasileiras podem reduzir emissões e ainda gerar outros efeitos positivos, como a melhora na qualidade do ar respirado nos grandes centros urbanos.

Florestas restauradas removem carbono da atmosfera

Também para o setor de restauração florestal há novidades animadoras. O Observatório do Clima estará, nos próximos anos, testando uma nova metodologia de emissões do setor do uso do solo que será muito mais precisa do que as atuais. A ideia é usar o projeto MapBiomas, que mapeia por satélite a alteração do uso do solo em todo o país, para entender o papel das florestas restauradas e em regeneração no sequestro de carbono da atmosfera. Com esse cálculo mais refinado, as florestas restauradas poderão ter um papel ainda mais importante para desempenhar na mitigação do aquecimento global.

Mas mesmo os dados atuais já mostram melhoras. Por exemplo, o país tem hoje menos áreas degradadas do que tinha em 1990, o que é um grande avanço. Menos áreas degradadas significa solo de melhor qualidade sequestrando carbono na atmosfera. Um exemplo desse movimento da restauração de áreas degradadas foi apresentado por Aladim Cerqueira, secretário de Meio Ambiente do Espírito Santo, que participou do lançamento do Seeg representando a Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente  (Abema). Segundo ele, hoje o estado tem 15,7% de Mata Atlântica em recuperação em estágio avançado, e 6,8% em estágio médio, totalizando na regeneração de 280 mil hectares de florestas. “Estamos vendo essa transformação no estado após o investimento de R$ 60 milhões no programa Reflorestar”, disse.

O Brasil se comprometeu, em suas metas climáticas assinadas no Acordo de Paris, a restaurar 12 milhões de hectares de florestas. Cumprir essa meta pode ser o principal instrumento do país para fazer a sua parte no combate ao aquecimento global.

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