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5 perguntas e respostas sobre as emissões de gases de efeito estufa da agropecuária

Este artigo foi escrito por Aleksandra Arcipowska, Emily Mangan, You Lyu e Richard Waite e publicado originalmente no Insights.

A agropecuária oferece um meio de vida para bilhões de pessoas todos os dias e alimenta todos nós. No entanto, a produção de alimentos tem impactos significativos no meio ambiente por meio do desmatamento e da poluição da água. É também um dos principais contribuintes das emissões de gases de efeito de estufa (GEE).

Uma vez que os países trabalham para reduzir suas emissões de maneira geral, é preciso que as emissões agropecuárias também diminuam. Para entender melhor a relação do setor com as emissões globais, analisamos mais de perto os dados, usando o Climate Watch para responder a cinco perguntas importantes.

1. O que causa as emissões da agropecuária?

A maioria das emissões da produção agropecuária vem da criação de gado. Mais de 70 bilhões de animais são criados anualmente para consumo humano. As principais fontes individuais são o metano de arrotos do gado e o esterco.

A fermentação entérica – um processo digestivo natural que ocorre em animais ruminantes, como gado, ovelhas e cabras – foi responsável por cerca de 40% das emissões da agropecuária nos últimos 20 anos. O estrume deixado no pasto também gera emissões agrícolas. Libera óxido nitroso, um gás de efeito estufa cuja contribuição, por tonelada, para o aquecimento global é muito maior do que a do dióxido de carbono. Esses dois processos da pecuária correspondem a mais da metade das emissões totais da produção agrícola. O cultivo de arroz e os fertilizantes sintéticos também são fontes importantes, cada um contribuindo com mais de 10% das emissões do setor.

Neste post, nos concentramos nas emissões da produção agropecuária, mas é importante lembrar que a agropecuária também é um dos principais impulsionadores das mudanças no uso da terra (por exemplo, pela conversão de florestas em lavouras ou pastagens). Uma pesquisa recente do WRI estimou que a agropecuária e a mudança no uso da terra coletivamente representaram quase um quarto das emissões globais de GEE em 2010.

2. Qual é o papel da agropecuária nas emissões globais e nacionais?

As emissões da produção agrícola representam atualmente 11% das emissões globais de gases de efeito estufa e aumentaram 14% desde 2000.

Em 24 países ao redor do mundo, o setor é a principal fonte de emissões.

País Parcela da agropecuária no total de emissões (2014) Total de emissões (Mt CO2e, 2014)
Mali 94 31.53
Somália 87 23.26
Burquina Faso 85 23.5
Níger 83 27.98
Madagascar 82 26.82
Guiné-Bissau 82 2.02
Etiópia 74 129.21
Uruguai 73 33.22
Mauritânia 69 11.20
Quênia 61 60.53
Eritreia 61 6.76
Comores 60 0.4
Vanuatu 59 0.73
Nepal 59 37.52
Nicarágua 53 14.52
Malawi 51 10.2
Nova Zelândia 51 75.74
Tajiquistão 46 11.96
Haiti 45 8.67
Ruanda 45 6.73
Bangladesh 44 167.71
Afeganistão 44 33.37
Djibouti 43 1.51
Senegal 42 25.32
Fonte: Climate Watch

3. Quais países são responsáveis ​​pela maior parte das emissões agropecuárias?

No período de 1996 a 2016, a China foi responsável pela maior parte das emissões do setor, seguida por Índia, Brasil e Estados Unidos. Juntos, esses quatro principais emissores agrícolas foram responsáveis ​​por 37% das emissões globais da produção agropecuária.

Desde 2000, as emissões da China e da Índia aumentaram 16% e 14%, respectivamente (ver figura 3). Em termos de emissões agrícolas per capita, os três principais países são Austrália, Argentina e Brasil.

4. Como serão as emissões agropecuárias no futuro?

A agropecuária provavelmente continuará a ter uma grande contribuição para as emissões globais de gases de efeito estufa nos países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Com pouca ou nenhuma ação climática no setor agrícola, as emissões de gases de efeito estufa da produção agropecuária podem aumentar em 58% até 2050. Uma pesquisa do WRI também mostrou que, quando se leva em consideração a mudança no uso da terra, mantendo os padrões atuais, as emissões agrícolas poderiam consumir 70% ou mais do "orçamento de carbono" global, a quantidade de emissões que o mundo pode liberar até 2050 sem que o aumento da temperatura global ultrapasse os 2°C. Em um cenário mais ambicioso de mitigação, chamado RCP2.6, as emissões do setor aumentariam apenas 6% (em comparação com 2000).

O WRI também analisou um cenário ainda mais ambicioso, de "tecnologias inovadoras" – com mudanças em tecnologia, políticas e práticas da fazenda à churrasqueira –, que reduziria as emissões da produção agrícola em 40% entre 2010 e 2050 e aumentaria a remoção de carbono da atmosfera com grandes extensões de reflorestamento. Tais medidas exigiriam muito investimento e esforço, mas são fundamentais para manter o aquecimento a 1,5ºC, limite que os cientistas dizem ser necessário para prevenir alguns dos piores impactos da mudança climática.

Projeções de emissões futuras baseadas em cenários com diferentes níveis de ambição

5. O que os países estão fazendo para reduzir as emissões agropecuárias?

As emissões da produção agrícola podem ser abordadas melhorando os padrões de produção e consumo. Uma pesquisa recente do WRI aponta para um cardápio de soluções para alimentar 10 bilhões de pessoas até 2050, reduzindo as emissões agropecuárias em sintonia com os objetivos do Acordo de Paris.

No lado da produção, o aumento da produtividade das lavouras e da pecuária por meio da intensificação sustentável pode reduzir as emissões por unidade de alimento produzido e aliviar muito a pressão sobre os remanescentes de florestas. Um conjunto de inovações tecnológicas, incluindo aditivos para ração que reduzem a fermentação entérica, "inibidores de nitrificação" que reduzem as emissões de óxido nitroso a partir de fertilizantes e variedades de arroz com menor emissão poderiam reduzir as emissões e manter a produtividade.

O consumo pode ser mais eficiente reduzindo a perda e o desperdício de alimentos e, nos países ricos, reduzindo a presença na dieta de produtos intensivos em emissões, como carne bovina, substituindo-os por alimentos baseados em vegetais.

Essa transformação já começou, mas precisa ser acelerada. O Climate Watch permite que os usuários explorem os compromissos climáticos, ou NDCs, de todos os países, e vejam quais incluem ações na agricultura. Dos 197 países no Acordo de Paris, 75 se comprometeram com ações de mitigação e 116 com ações de adaptação dentro do setor agrícola. Os principais emissores, como China e Índia , enviaram propostas específicas que abrangem áreas como segurança alimentar, irrigação, manejo de solo e sistemas agroflorestais. Outros países visam reduzir os poluentes climáticos de vida curta como o metano através de suas NDCs. O Japão, por exemplo, propôs medidas para reduzir as emissões de metano de solos agrícolas e arrozais.

Com novos dados agrícolas no Climate Watch, os usuários podem explorar os emissores do setor e ver o que os países se comprometeram a fazer no Acordo de Paris. Visite a ferramenta aqui.

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