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7 temas de desenvolvimento sustentável para acompanhar em 2019

Há 100 anos, 1919 foi um ano marcante: os países assinaram o Tratado de Versalhes para encerrar a Primeira Guerra Mundial, Mahatma Gandhi começou uma resistência não violenta à dominação britânica e o Grand Canyon se tornou um parque nacional.

Um século depois, 2019 dá sinais de ser outro grande ano – e também um ano incerto, como explicou o presidente e CEO do WRI, Andrew Steer, no encontro anual que ocorre no escritório do WRI para apresentar o Stories to Watch.

A seguir, sete histórias para acompanhar neste ano quando se pensa no futuro do meio ambiente e do desenvolvimento internacional:

1) A geopolítica vai impedir a ação climática internacional?

Abalos políticos em vários países importantes tornam o futuro da ação climática internacional incerto. O Brasil deu uma guinada à direita com a eleição do presidente Jair Bolsonaro, enquanto o México mudou-se para a esquerda com o novo presidente Andres Manuel López Obrador. Olhando para 2019, os eleitores da Índia e da Indonésia vão votar, enquanto a China enfrenta o desafio de uma desaceleração econômica.

Global emissions rose in 2017 and 2018, after a three-year plateau.

Dois momentos chave mostrarão como essas mudanças afetarão a ação climática internacional: na cúpula do clima da ONU, em setembro, os líderes nacionais indicarão que vão se comprometer com compromissos climáticos mais ambiciosos? Eles aumentarão, em outubro, o financiamento para o Fundo Verde para o Clima, que investe em desenvolvimento de baixo carbono e resiliência climática? E as empresas vão deixar os governos para trás com uma ação climática ousada?

2) A adaptação surgirá como uma grande agenda global?

Os impactos das mudanças climáticas nunca foram tão evidentes e ameaçadores. O número de desastres climáticos extremos, como secas e inundações, dobrou desde a década de 1990. Hoje, cerca de 150 milhões de pessoas a mais estão expostas a riscos de saúde relacionados ao calor do que no ano 2000.

<p>O número de desastres climáticos extremos, como secas e inundações, dobrou desde os anos 1990. (foto: NPS Climate Change/Flickr)</p>

O número de desastres climáticos extremos, como secas e inundações, dobrou desde os anos 1990. (foto: NPS Climate Change/Flickr)

No entanto, há falta de liderança, métricas e financiamento para ajudar as pessoas a se adaptarem a um clima em transformação. "A adaptação tem sido a prima pobre da mitigação", disse Steer.

Isso pode mudar neste ano. O Banco Mundial anunciou que metade de seus investimentos climáticos serão agora direcionados para a adaptação. Uma nova Comissão Global de Adaptação, liderada por Kristalina Georgieva, Ban Ki-moon e Bill Gates, foi lançada em outubro de 2018 e tem como objetivo valorizar a relevância da adaptação para acelerar ações em todo o mundo. A comissão, formada por 17 países, divulgará em setembro um relatório de pesquisa emblemático, que incluirá vários caminhos para desafios específicos da adaptação.

3) Será que o “fast fashion” vai baixar a velocidade?

Os consumidores estão comprando 60% mais roupas hoje do que em 2000, e um caminhão de lixo de roupas descartadas é queimado ou enviado para um aterro a cada segundo de cada dia. Os impactos sociais e ambientais do “fast fashion” são impossíveis de ignorar. Por exemplo: uma camiseta de algodão exige 2.700 litros de água para ser produzida, quantidade que forneceria água potável para uma pessoa beber por dois anos e meio.

Há sinais muito incipientes de que a indústria está começando a enfrentar esses desafios, como o considerável crescimento na reutilização de roupas e o surgimento de serviços de locação, como a Rent the Runway e a RealReal. Os fabricantes estão experimentando tecidos mais sustentáveis, como couro cultivado em laboratório e fibras à base de frutas. Esses novos modelos de negócio serão uma tendência duradoura ou uma moda passageira?

Ainda neste ano, a Sustainable Apparel Coalition lançará uma plataforma de relatórios na qual as empresas podem compartilhar informações sobre a sustentabilidade de suas operações. A coalizão tem como objetivo fornecer pontuações de desempenho para marcas, produtos e fábricas. Também neste ano, a iniciativa Science-Based Targets divulgará orientações para a sustentabilidade na produção de vestuário e calçados, que podem ajudar as empresas a definir metas de redução de emissões de acordo com a mais recente ciência climática.

4) As empresas de comodities seguirão seus compromissos de conter o desmatamento?

Apesar dos compromissos de quase 500 empresas multinacionais para reduzirem o desmatamento em suas cadeias de produção até 2020, 2017 teve a segunda maior perda de cobertura florestal desde 2001, depois de 2016 (os números de 2018 não estarão disponíveis até o final deste ano). Commodities como soja, óleo de palma e carne bovina são grandes responsáveis por isso. "Estamos em uma situação de crise e esse também é um problema humanitário", disse Steer. “Mais de 200 defensores do meio ambiente perderam a vida no ano passado”.

As empresas que estabeleceram metas para 2020 vão manter o esforço? E será que mais governos se engajarão e apoiarão esses esforços?

Preste atenção em um roteiro anti-desmatamento da Comissão Europeia: se a Indonésia continuará a desacelerar seu desmatamento; e se o presidente Bolsonaro abrirá a Amazônia para a produção de commodities. Atente para a colaboração público-privada [AF1] na Assembleia da Aliança para Florestas Tropicais em maio e se a crescente atenção à biodiversidade gera alguma pressão.

5) A iniciativa *Belt and Road* dará suporte ao desenvolvimento de baixo carbono?

A iniciativa Belt and Road, da China, é um importante empreendimento global de desenvolvimento, envolvendo a construção de estradas, portos e outras infraestruturas em mais de 100 países. No entanto, enquanto os líderes chineses defendem a “proteção do meio ambiente” em todos os aspectos do Belt and Road, pesquisas mostram que a maior parte dos investimentos em energia da iniciativa atualmente favorece os combustíveis fósseis em detrimento da energia renovável.

Este ano será fundamental para avaliar se a China está seriamente empenhada em tornar o gigantesco empreendimento ambientalmente mais sustentável. Um grande fórum a ser realizado em 2019 será um bom momento para elaborar diretrizes de sustentabilidade para os projetos da iniciativa. Outros sinais de progresso serão se a China aumentará os investimentos em energia renovável no exterior, como já fez internamente, e se os planos climáticos dos países começam a informar os investimentos do Belt and Road.

6) Micromobilidade: uma moda ou o futuro?

Bicicletas e scooters compartilhadas estão decolando em cidades ao redor do mundo. Um fato: a Bird, empresa de aluguel de scooters elétricas, é a startup que chegou mais rápido na história ao “status de unicórnio”, com uma avaliação de US$ 1 bilhão.

No entanto, essa revolução de micromobilidade compartilhada tem uma desvantagem: algumas bicicletas e scooters são de baixa qualidade, levando a avarias e desperdícios, enquanto outras se acumulam nas calçadas, retirando espaço dos pedestres. Existem também preocupações com a segurança.

Então, as scooters e as bicicletas compartilhadas serão uma moda passageira ou uma tendência que veio para ficar nas paisagens urbanas?

<p>Scooters compartilhadas em Moscou, Rússia (foto: MaxPixel)</p>

Scooters compartilhadas em Moscou, Rússia (foto: MaxPixel)

As decisões tomadas este ano podem ajudar a garantir que seja algo consistente. Ford, Uber, Lyft e General Motors já estão entrando na onda da micromobilidade. Outras empresas entrarão? Fique atento a como as cidades vão regular bicicletas e scooters compartilhadas, incluindo assuntos como licenças, preços e segurança. A New Urban Mobility Alliance (NUMO), que será lançada em breve, pode ajudar a dar orientação. A grande questão é se os líderes urbanos e os planejadores colocarão o foco em projetar ruas para favorecer as pessoas e a micromobilidade em vez dos carros.

7) A ação climática nos EUA vive um ponto de virada?

O governo Trump tentou reverter mais de 70 salvaguardas ambientais. Mas a ação climática dos EUA não está morta. Na verdade, estados, cidades e empresas estão avançando, expandindo metas de energia renovável e a precificação de carbono.

As eleições de meio de mandato de 2018 deram início a um novo grupo de líderes climáticos, incluindo dez novos governadores com planos de energia limpa elaborados e mais membros do Congresso que apoiam a ação climática. O Green New Deal está injetando mais entusiasmo no debate sobre o clima do que nos últimos anos.

Preste atenção às novas iniciativas de precificação de carbono, aos estados que vão se juntar aos 29 que já possuem planos de energia limpa e às abordagens dos estados e empresas para combater as emissões do setor de transportes, o maior emissor do país. O Congresso apoiará a precificação de carbono, lançará um novo acordo de infraestrutura ou proporcionará mais financiamento para tecnologias limpas? E que postura os candidatos presidenciais de 2020 assumirão sobre o clima?

"Ao contrário da última eleição presidencial, quando a mudança climática basicamente não aparecia em lugar nenhum, será que veremos esse tema como algo central?", Steer provocou. "Desta vez, acreditamos que é muito provável”.

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