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Otimizar, eletrificar e descarbonizar: três passos para cidades de baixo carbono

Este artigo foi escrito por Emma Stewart e Eric Mackres e publicado originalmente no Insights.


As cidades são tanto culpadas quanto vítimas das mudanças climáticas. Elas já são responsáveis por 70% das emissões globais de gases de efeito estufa relacionados à energia e por 65% da demanda global de energia – e podem facilmente responder por mais de três quartos do uso de eletricidade até 2030. Cidades de economias emergentes, onde ocorrerá 95% do crescimento populacional até 2030, também serão responsáveis pela maior parte (70%) do crescimento na demanda de energia neste período.

Mas as cidades também podem se tornar parte da solução para os desafios climáticos. Como funcionam hoje, ainda não são. Mas, como 75% da infraestrutura urbana que existirá até a metade do século ainda não foi construída, temos uma enorme oportunidade de projetar cidades mais eficientes para evitar os piores efeitos da mudança climática e, ao mesmo tempo, ajudar as pessoas a prosperarem, serem mais saudáveis e produtivas.

Investimentos em projetos urbanos de baixo carbono trazem benefícios significativos para os cidadãos urbanos e mesmo para os rurais. Um estudo do New Climate Economy descobriu que cada US$ 1 trilhão gasto por ano em 11 tipos de projetos de baixo carbono nas cidades produziria US$ 17 trilhões em valor financeiro líquido até 2050, apenas a partir da economia direta de energia. Uma revisão da mesma pesquisa constatou que os benefícios econômicos e sociais desses investimentos - como a melhoria na saúde dos cidadãos, empregos gerados, redução da pobreza e da desigualdade - superam muitas vezes o montante de US$ 17 trilhões. Apenas como exemplo: a economia para a saúde de melhorar a calefação e o isolamento térmico das residências pode ser mais de 10 vezes o valor da economia de energia.

Como fazemos isso? A boa notícia é que está cada vez mais claro que as cidades precisam concentrar seus esforços em três coisas:

Otimizar: tornar o uso de energia mais eficiente em todos os setores – particularmente em transportes e nas construções.

Eletrificar: realizar a transição energética de combustíveis fósseis para energia elétrica no transporte e nas construções.

Descarbonizar: simultaneamente, as cidades devem incentivar a transição para fontes de energia limpas e livres de emissões de carbono para a produção de eletricidade, tanto distribuídas, como painéis de energia solar no topo de edifícios, quanto centralizadas, como parques eólicos.

O ambiente de mudança está se desenvolvendo cada vez mais nas cidades para a adoção dessas transições. A evolução da tecnologia e da economia está tornando essas opções mais atraentes, "puxando" as cidades nessa direção. Enquanto isso, políticas que encorajam ou exigem essas três transições servem de "empurrão". Em resumo:

1) Otimizar

A eficiência energética ainda é a melhor opção porque é a mais barata. A rápida adoção no mercado de tecnologias e práticas inovadoras, como a iluminação a LED, a troca de equipamentos obsoletos e outras práticas devem ser constantes para melhorar a eficiência.

2) Eletrificar

A eletrificação está acontecendo no setor de transportes, nas construções e até mesmo na indústria pesada. Embora não seja apropriada em todas as circunstâncias (uma futura publicação do WRI abordará a questão), a eletrificação é parte de cenários para limitar o aumento da temperatura média global a 2ºC. E há uma infinidade de benefícios não relacionados ao clima, desde redução de ruídos e poluição do ar a preços mais confiáveis. À medida que as curvas de custo para eletricidade e armazenamento de energia diminuem, a eletrificação irá acelerar ainda mais.

3) Descarbonizar

Avanços recentes em geração, armazenamento, gerenciamento de energia e a chegada de mais opções de veículos elétricos tornam a transição para a eletricidade limpa viável para quase todos os usos. Também viabilizam que as cidades otimizem sua gestão da energia por horários e regiões, para que o poder público e as concessionárias de energia consigam gerir a demanda por eletricidade para os horários mais limpos - isto é, quando o vento sopra e o sol brilha. Quedas incríveis nos custos unitários de baterias, turbinas eólicas e células solares tornam impossível ignorar que essa transição é capaz de reduzir gastos com energia e melhorar o serviço para as pessoas.

Quem pode agir?

Os prefeitos parecem motivados, pelo menos no papel. Sete mil municípios se comprometeram publicamente com planos e metas de ação climática. Nos EUA, embora a ação climática tenha se tornado altamente partidária, a maioria (84%) dos prefeitos acreditam que a mudança climática é o resultado de atividades humanas, mais do que o público em geral (68%), e 66% deles dizem que as cidades devem agir mesmo que isso exija investimentos financeiros.

Os departamentos municipais têm uma infinidade de ferramentas políticas à sua disposição para otimizar e eletrificar seus próprios ativos, bem como os da população e da indústria local. Cidades como Bogotá puxaram a atualização de códigos de eficiência energética das construções de todo o país. As cidades também podem usar seu poder de compra para estimular serviços de maior qualidade, como na emergente preferência pela contratação de veículos elétricos na América Latina.

As cidades também estão criando campanhas e concursos para incentivar novas ações do setor privado, como o TheCityFix Labs India, no qual startups de energia recebem orientação sobre como dar escala a seus negócios e atender toda a dimensão da cidade. Embora as cidades precisem do apoio dos governos estaduais e nacionais para contar com energia mais limpa, elas podem descarbonizar de forma independente – e se tornar mais resilientes – recorrendo a energias renováveis descentralizadas como a solar.

Com o "impulso" das políticas públicas e o "empurrão" da tecnologia e da economia, chegaremos a um ponto de virada no qual a infraestrutura urbana de carbono zero se torna a escolha óbvia, mesmo para aqueles que demoram a adotá-la.

O dinheiro não virá necessariamente dos cofres tradicionais dos municípios, mas sim dos US$ 120 trilhões em ativos administrados por investidores privados, com apoio de concessões capazes de atenuar os riscos.

A tese para investir esses fundos? Otimizar, eletrificar, descarbonizar.

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