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Este mês na ciência climática: primeiro mamífero extinto pelas mudanças no clima e dificuldades para as tartarugas marinhas

Este post foi escrito por Kelly Levin e Dennis Tirpak e publicado originalmente no WRI Insights.


Todos os meses, cientistas fazem novas descobertas que avançam nossa compreensão sobre as causas e os impactos das mudanças climáticas. As pesquisas nos dão uma noção mais clara das ameaças que já enfrentamos e apontam o que ainda está por vir se não reduzirmos as emissões em um ritmo mais rápido.

A série “Este mês na ciência climática”, do WRI, faz um resumo das pesquisas mais significativas de cada mês, compiladas de publicações científicas reconhecidas. Nesta edição são explorados alguns dos estudos publicados em fevereiro de 2018. (Para receber esse conteúdo diretamente em seu e-mail, em inglês, cadastre-se na newsletter “Hot Science”, do WRI.)

Impactos nos ecossistemas e infraestruturas

  • Primeiro mamífero extinto pelas mudanças climáticas: o governou australiano anunciou que o Melomys rubicola, uma espécie de roedor, está extinto. Há três anos, cientistas fizeram o alerta de que a espécie já poderia estar extinta devido às inundações pela água do mar na pequena ilha onde viviam. Esse é o primeiro caso documentado de um mamífero extinto pelas mudanças climáticas.

  • Águas mais quentes prejudicam tartarugas marinhas: o aumento da temperatura da água no Golfo do Maine, nos Estados Unidos, tem feito as populações de tartarugas-de-kemp buscarem áreas ao norte, como a Baía de Cape Cod. Quando chegam lá, às vezes encontram águas mais frias que as deixam em estado de letargia. O formato de gancho da baía também pode agir como armadilha para as tartarugas que tentam migrar para o sul nos meses mais frios.

  • Mudanças climáticas impulsionam a extinção de insetos: um estudo descobriu que mais de 40% das espécies de insetos estão ameaçadas de entrar em extinção nas próximas décadas em decorrência de mudanças no clima, perda de habitat, uso de pesticidas e fertilizantes, além de fatores biológicos como a introdução de outras espécies. Nas regiões tropicais, as mudanças climáticas representam uma ameaça ainda maior. Como os insetos estão na base de muitos ecossistemas do mundo, os impactos dessa extinção podem ser catastróficos.

  • A implementação do Acordo de Paris protege a pesca: pesquisadores descobriram que atingir as metas do acordo (limitar o aumento da média de temperatura do planeta a 1,5°C ou 2°C) preservaria milhões de toneladas de pescado e bilhões de dólares de renda a cada ano. 75% dos países costeiros poderiam usufruir desses benefícios, com 90% das capturas protegidas ocorrendo nas águas dos países em desenvolvimento, cujas populações são mais dependentes de frutos do mar como fonte de proteína.

  • A produção dos peixes está diminuindo: um estudo mostrou que a produção de 124 espécies de peixe tiveram um declínio de 4% entre 1930 e 2010, com cinco ecorregiões enfrentando declínios entre 15% e 35%. Algumas espécies se adaptaram bem a águas mais quentes, mas a maioria experimentou um declínio.

  • Pássaros em movimento: um estudo examinando quase 200 espécies de aves entre 1959 e 2015 revelou que, à medida que as temperaturas aumentam, a migração na primavera tem começado uma semana mais cedo, aumentando a temporada de migração. O momento de migração das diferentes espécies pode afetar ecossistemas muito mais abrangentes ao alterar, por exemplo, as relações entre presas e predadores.

  • Tigres perdem habitat com a elevação do nível do mar: pesquisadores modelaram os impactos do aumento do nível do mar para o tigre-de-bengala, já ameaçado de extinção, no Sundarbans de Bangladesh, um ecossistema de mangue de baixa altitude. Eles descobriram que, como consequência das mudanças climáticas e da elevação do nível dos oceanos, não haverá mais um ambiente adequado para os tigres-de-bengala em 2070.

  • Inundações ameaçam barragens: cientistas avaliaram o risco que as mudanças climáticas representam para as principais barragens da Califórnia e concluíram que a maioria está em risco de falhar devido a inundações. Falhas nas barragens podem levar a uma diminuição no armazenamento de água, evacuações e catástrofes ainda maiores, se a integridade estrutural das barragens for afetada.

Clima extremo

  • Furacões no Atlântico ficam mais fortes: cientistas descobriram que os furacões na bacia do Atlântico se intensificaram entre 1982 e 2009. O aumento da intensidade está fora da curva de variabilidade climática normal, e os autores concluíram que o aquecimento induzido pelo homem provavelmente é a principal causa.

  • Extremos de temperatura chamam menos atenção: avaliando postagens sobre o clima em redes sociais, cientistas perceberam que, à medida que as pessoas são expostas a repetidos extremos na temperatura, seu ponto de referência para o que seria normal acaba mudando. Ou seja, as pessoas podem não perceber os impactos das mudanças climáticas à medida que eles se tornam menos marcantes para elas.

  • Fenômenos climáticos extremos geram prejuízos de bilhões de dólares: a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos constatou que 14 desastres climáticos naquele país causaram danos de pelo menos US$ 1 bilhão cada em 2018. Os fenômenos, que incluíram os furacões Michael e Florence e os incêndios florestais na região Oeste, geraram um prejuízo de US$ 91 bilhões e mataram 250 pessoas.

  • Inundações afetam o tráfego de pedestres: estudando a cidade de Anápolis (Maryland, EUA), cientistas revelaram que as enchentes causadas pela maré alta reduziram as visitas ao centro da cidade em 2% em 2018. Com o adicional aumento do nível do mar, as visitas à cidade devem cair 24%.

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Inundação em Anápolis em 2017 (Foto: Will Parson/Chesapeake Bay Program)

Emissões e temperaturas

  • Emissões de metano nos Estados Unidos aumentam: a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos publicou um inventário preliminar mostrando que as emissões de metano cresceram em 2017.

  • Mais metano do degelo do permafrost: um estudo mostrou que a água mais quente pode aumentar as emissões de metano do permafrost em até 30%. Os processos microbianos e vegetais estão começando mais cedo na estação de crescimento, o que contribui para as emissões. O metano tem um efeito de aquecimento 28 vezes maior do que o dióxido de carbono.

  • Nuvens em desintegração: cientistas descobriram que as nuvens stratocumulus, que desempenham um papel importante na regulação do clima (porque refletem a radiação solar de volta ao espaço), se desintegrariam sob níveis muito altos de dióxido de carbono (acima de 1.200 partes por milhão, ou 3 vezes os níveis atuais).

  • Crescem as fontes de carbono negro: o “carbono negro”, um potente indutor climático, é uma preocupação crescente devido ao aumento do tráfego aéreo, que ainda deve dobrar nas próximas duas décadas. Um estudo recente revelou que as emissões de carbono negro da aviação equivalem a aproximadamente a 11% das emissões das estradas da América do Norte.

  • Avanço no armazenamento de carbono: um novo estudo descreve uma nova abordagem usando eletrólise de metal líquido para sequestrar dióxido de carbono e transformar em carbono sólido. Outro benefício do processo é que o novo sólido formado pode conter uma carga elétrica, tornando-se um “supercapacitor” que pode ser usado em veículos. Os autores descrevem-no como um primeiro passo crítico no avanço do armazenamento de carbono. Os autores descrevem essa mudança como um primeiro passo fundamental para avançar o armazenamento de carbono.

  • Nível de confiança “padrão ouro” de que os seres humanos estão causando as mudanças no clima: pesquisadores avaliaram quando o primeiro sinal de aquecimento induzido pela atividade humana surgiu nos dados científicos. A descoberta foi de que existe cerca de 1 chance em 3,5 milhões de que veríamos o aumento das temperaturas que estamos vendo hoje na ausência de atividades humanas. Esse nível de certeza científica é considerado o “padrão ouro” entre as descobertas na física de partículas.

Oceanos

  • Oceanos mudando de cor: pesquisadores descobriram que em algumas áreas, como no Caribe, as populações de fitoplâncton devem entrar em declínio devido às mudanças no clima, deixando a água dos oceanos mais azul. Em outras regiões, como no Oceano Antártico e no Atlântico Norte, o aquecimento das águas favorecerá o crescimento do fitoplâncton, tornando as águas mais verdes. O monitoramento nessas mudanças de coloração da água pode ser um indicador útil das mudanças climáticas.

  • Mais inundações do que se esperava nas zonas de baixa elevação: avaliando a costa da Louisiana, a maior zona costeira de baixa elevação nos Estados Unidos, um estudo descobriu que os indicadores de maré e os satélites subestimam as taxas de aumento do nível do mar. As zonas costeiras de baixa elevação podem, portanto, estar correndo um risco de inundação maior do que se pensava.

Gelo

  • Geleiras do Himalaia em risco: um novo estudo da região Hindu Kush, no Himalaia, conduzido como parte de uma avaliação mais ampla, projeta que o volume das geleiras diminuirá em até 90% até 2100. Mais de 1,3 bilhão de pessoas dependem da água dos rios das geleiras do Himalaia.

  • Projeções superestimadas de aumento do nível do mar: muitas projeções de aumento do nível do mar são baseadas em uma hipótese relacionada à instabilidade das geleiras. Essa hipótese antecipa o colapso das geleiras após a desintegração das plataformas de gelo. Um novo estudo sugere que essas projeções superestimam o aumento do nível do mar e que os modeladores revisem suas estimativas.

  • Novas estimativas para o gelo glaciar: um estudo estima a espessura do gelo para todos os 215 mil glaciares fora da camada de gelo da Groenlândia e da Antártida. Os cientistas encontraram um total de 158 quilômetros cúbicos de gelo que, se totalmente derretidos, poderiam causar uma elevação de 30 centímetros no nível do mar. Esses dados podem contribuir para futuras projeções. A análise também mostrou que as geleiras de montanhas altas na Ásia possuem cerca de 27% menos gelo do que as estimativas anteriores sugeriam, e que a região pode perder metade da atual área de glaciar uma década antes do que o estimado anteriormente.

  • A perda de gelo no Ártico pode acelerar logo: a perda de gelo no Ártico é afetada pela variação climática normal e pelo aquecimento induzido pelo homem. Um ciclo natural, denominado Oscilação Interdecadal do Pacífico, pode alterar os padrões de vento atmosférico, afetando o transporte de calor para o Ártico. Os cientistas acreditam que agora esse ciclo está mudando para uma fase que aumentará as chances de perda acelerada de gelo marinho nas próximas décadas.

  • Ártico canadense hoje sem gelo já foi coberto de gelo: cientistas descobriram locais hoje sem gelo no Ártico canadense que foram cobertas de gelo por mais de 40 mil anos. Aliado a isso, o calor do último século ultrapassa qualquer um já registrado nos últimos 115 mil anos.

  • Mudanças climáticas criam oportunidades econômicas para a Groenlândia: um novo estudo mostrou que, à medida que a camada de gelo da Groenlândia muda e derrete, areia e cascalho vão se acumular nas áreas costeiras do país. Essa mudança pode criar uma oportunidade econômica para a Groenlândia, já que as reservas de areia e cascalho estão diminuindo em todo o mundo devido à demanda crescente.

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