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Uma escassez de dados impede as cidades de agirem para combater as mudanças climáticas

Este blog foi escrito por Pankaj BhatiaChristopher M. Ede-CaltonCassandra Etter-Wenzel e Daniely Votto, e publicado originalmente no WRI Insights.


Imagine que você é uma autoridade de sustentabilidade atuando no nível local, desenvolvendo iniciativas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa (GEE), mas você não sabe o volume de emissões que a cidade produz ou de onde elas vêm. Você tampouco conhece quem são os maiores consumidores de energia, quantos carros estão circulando ou quanto lixo é produzido a cada ano. E mesmo que sua cidade defina metas para reduzir as emissões, não terá como medir o progresso da implementação das mesmas.

Essa é a situação que muitos legisladores e autoridades municipais enfrentam cotidianamente. Enquanto as cidades ocupam apenas 2% do território no mundo, respondem por 70% das emissões globais. A falta de dados e estatísticas precisas impede os centros urbanos de agirem com eficiência, gerando riscos à sua população. 

Os dados que as cidades têm x os dados que as cidades precisam

Cada vez mais cidades pelo mundo instalam sistemas de abastecimento e distribuição de energia eficientes e limpos para contribuir com o cumprimento das metas do Acordo de Paris. Para acelerar esse ímpeto, é preciso ajudar as cidades a economizar recursos, tempo e capacidade, além de capacitá-las com os dados necessários para melhorar a tomada de decisões. No entanto, as cidades, particularmente as dos países em desenvolvimento, estão passando por uma "escassez de dados" e precisam de apoio para enfrentá-la.

As informações existem. No entanto, muitas vezes os dados são insuficientes e parciais, aparecem em formatos inadequados para as necessidades de gestão urbana. Quando as cidades têm dados, muitas vezes são números nacionais ou regionais sobre transporte, uso da terra e outros setores, que são difíceis de traduzir para a escala municipal. Mesmo os centros urbanos mais ricos, com uma longa história de contabilização de emissões, enfrentam essa escassez de dados.

Por exemplo:

  • De acordo com uma pesquisa da Conferência de Prefeitos dos EUA, com 288 membros, 67% dos municípios americanos não têm os dados de uso de energia necessários para criar um inventário de GEE em escala local ou qualquer tipo de plano de ação climático local.
  • A Comissão de Mudanças Climáticas das Filipinas afirmou que "o inventário de gases de efeito estufa no nível local é um passo importante para orientar os 1.634 municípios das Filipinas na formulação de ações climáticas locais relevantes e que permitiriam acompanhar o seu progresso à medida que mudam para um sistema de baixas emissões e para um desenvolvimento resiliente ao clima. Um dos desafios que precisam ser enfrentados é a dificuldade de adquirir, acessar e/ou completar os dados de atividade necessários à medida que as cidades conduzem seu inventário de GEE”.
  • Em Buenos Aires, na Argentina, há acesso a alguns dados de atividades, mas a cidade ainda carece de informações cruciais. Por exemplo, o departamento municipal de mudanças climáticas afirma que "enquanto temos acesso às informações de uma empresa que gerencia o aterro onde os resíduos são despejados, outros municípios não conseguem ou têm dificuldades para ter as mesmas informações". Por causa disso, a prefeitura precisa modelar alguns dos números, um esforço intenso de trabalho. Cidades grandes e ricas como Buenos Aires podem aumentar o acesso a dados parcialmente disponíveis, mas áreas menores e menos ricas são incapazes de fazer o mesmo.

A necessidade de dados de atividades abertos e transparentes

Cidades, grupos da sociedade civil e órgãos subnacionais estão solicitando que governos e empresas públicas disponibilizem mais dados publicamente. Eles estão impulsionando uma agenda de transparência e dados abertos de atividades que, se publicados, ajudarão as cidades ao redor do mundo a definir com precisão um futuro de baixo carbono. Por exemplo, em uma reunião da Mesa Redonda de Ação Climática da Austrália, em dezembro de 2017, os estados e municípios representados concordaram em explorar "meios de aumentar o acesso a dados de inventários de gases de efeito estufa por atividade a governos subnacionais para apoiar uma ação climática mais robusta e uma maior prestação de contas subnacional".

Especialistas em políticas públicas, ativistas e autoridades municipais estão trabalhando duro para aumentar o sucesso dos compromissos climáticos. Será que os governos nacionais, empresas de serviços públicos e outros atenderão ao seu pedido para disponibilizar mais dados de emissões por atividade?

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