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Como os países mais vulneráveis podem continuar a liderar o combate às mudanças climáticas

Este post foi escrito por Eliza Northrop e publicado originalmente no WRI Insights.


Na sequência de uma das piores temporadas de eventos extremos na história recente, o Climate Vulnerable Forum Virtual Summit (CVF) reforçou a necessidade de que todos os países, sejam eles mais ou menos vulneráveis às mudanças no clima, aumentem seu nível de ambição nessa luta.

Para salvar os países e comunidades mais vulneráveis, as emissões globais de poluentes precisam diminuir rápido. O CVF tem sido uma voz importante no sentido de chamar atenção para a urgência de que todos os países persigam e cumpram suas metas climáticas. O Fórum foi a força política que ajudou a elevar a conscientização sobre a importância de incluir a meta do 1,5°C no Acordo de Paris, o que, por sua vez, resultou no alarmante relatório lançado recentemente pelo IPCC.

O CVF foi além de elevar o nível das negociações. Os países que integram o Fórum lideram pelo exemplo, anunciando compromissos de ir mais longe para reduzir as próprias emissões e garantir a transição para uma economia de baixo carbono e resiliente. Esses compromissos incluem, por exemplo, a meta coletiva de ter 100% da energia renovável até 2050 e anúncios recentes de Fiji e das Ilhas Marshall sinalizando que submeterão NDCs mais ambiciosas na próxima Cúpula do Clima do Secretário-Geral da ONU.

Para apoiar esses esforços, o WRI publicou uma análise sobre as oportunidades para os países membros do CVF fortalecerem suas NDCs, de forma que estas sirvam de base para a transição para um mundo de zero carbono, resiliente às mudanças climáticas e capaz de alcançar objetivos de desenvolvimento sustentável.

Opções para aumentar a ambição dos planos climáticos

Há diversas alternativas para aumentar a ambição das NDCs – dos setores de energia e transportes até florestas, ecossistemas costeiros, alimentos e agricultura. As opções específicas que apresentam a melhor oportunidade serão diferentes para cada país.

Alguns países, como Fiji, podem decidir ampliar suas NDCs a um leque mais amplo de setores, cobrindo energia, transportes, agricultura, florestas e resíduos. Algumas das melhores oportunidades para aumentar a ambição de uma NDC de forma a alinhá-la aos objetivos de desenvolvimento sustentáveis passam por ações setoriais. Seja em energia, transporte, agricultura ou florestas – os países podem reduzir as emissões e, ao mesmo tempo, proporcionar benefícios significativos para o desenvolvimento sustentável e aumentar a resiliência. Algumas dessas opções são destacadas abaixo.

Energia

  • aumentar a capacidade e a geração de energia renovável

  • aumentar o acesso à energia renovável

  • garantir padrões de aplicação e normas de eficiência energética em novas construções

Florestas e ecossistemas costeiros

  • estabelecer metas para proteger ou restaurar florestas

  • atualizar políticas fiscais para aumentar o investumento em restauração e redução do desmatamento

  • criar ou proteger áreas de manguezais, florestas de algas e outros biomas costeiros

Transportes

  • aumentar a parcela de veículos elétricos na divisão modal

  • aumentar o uso do transporte coletivo e dos modos ativos

Alimentos e agricultura

  • reduzir o desperdício de alimentos em 50% até 2030

  • implementar políticas para a economia de água no cultivo de arroz

  • implementar projetos que reduzam a fermentação entérica do gado

Claro, as nações mais vulneráveis não têm como fazer isso sozinhos. Os principais países emissores precisam reduzir drasticamente suas emissões para garantir que seja possível limitar o aumento da temperatura média global a 1,5 ° C e evitar os impactos mais catastróficos das mudança climáticas

Pensando além do CO2

Além da redução na poluição por dióxido de carbono, agir sobre um conjunto de poluentes significativos – os chamados poluentes climáticos de vida curta – pode trazer consideráveis benefícios para o clima.

Reduzir esse tipo de poluente é vital para amenizar o aquecimento global. Essa redução é particularmente importante para os países mais vulneráveis às mudanças climáticas porque pelos benefícios de saúde, bem-estar e desenvolvimento sustentável que pode gerar. Ao considerar ações sobre esses poluentes em suas NDCs, esses países podem assumir um papel de liderança no combate às mudanças no clima, além de estarem dando passos importantes internamente para melhorar a qualidade do ar, a economia e a segurança alimentar.

Alinhando metas de curto e longo prazo

Além das NDCs, o Acordo de Paris convida os países a desenvolverem, até 2020, estratégias de desenvolvimento de longo prazo baseadas na redução de emissões. Essas estratégias podem orientar o fortalecimento das NDCs à medida que os países alinharem suas visões de longo prazo com ações mais imediatas.

Alguns dos países do CVF trabalham atualmente na elaboração de suas estratégias. As Ilhas Marshall, por exemplo, lançaram sua estratégia em setembro, incluindo metas para aumentar a resiliência climática e zerar as emissões líquidas até 2050.

Como os menos vulneráveis podem apoiar os mais vulneráveis

A ciência é clara. Se quisermos atingir as metas do Acordo de Paris, é fundamental que os países se comprometam a aumentar a ambição de suas NDCs em 2020. Os países mais vulneráveis enfrentarão grandes desafios no próximo século, da elevação do nível dos oceanos ao aumento das temperaturas, passando por outros impactos graves. Cumprir as metas e mobilizar recursos para ações de resiliência e adaptação é essencial para proteger os mais vulneráveis.

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