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Por que a silvicultura sustentável é um bom investimento

Este artigo foi escrito por Sabin Ray, Caroline Gagné, Adam Dolin e Lissa Giasgo e publicado originalmente no WRI Insights.


Há uma década, 100 mil voluntários dos vilarejos de Casamance e Siné Saloum, no Senegal, se juntaram para plantar 80 milhões de árvores de mangues no maior programa de restauração de manguezais do mundo. Dez anos depois, os manguezais já sequestraram mais de 160 mil toneladas de carbono, o equivalente a tirar mais de 100 mil carros das estradas todos os anos. O ecossistema restaurado consegue manter a vida selvagem e a vida humana, permitindo que a comunidade tenha acesso a um adicional de 4.200 toneladas de peixe, camarão e ostras todos os anos. Cerca de 95% dos moradores acreditam que o projeto teve um impacto positivo em suas vidas.

A ONG local Oceánium liderou o projeto, mas o investidor de impacto Livelihoods Carbon Fund forneceu o apoio financeiro. Dez companhias – incluindo Hermès, Danone e Michelin – investem no Livelihoods Carbon Fund com o objetivo duplo de compensar suas emissões de carbono e melhorar vidas nos países em desenvolvimento. Os resultados encorajadores do projeto de restauração dos mangues mostram como investir em projetos de silvicultura pode gerar inúmeros benefícios.

Investimento de impacto para silvicultura sustentável

Investimentos de impacto, como os apoiados pelo Livelihoods Carbon Fund, são investimentos feitos com a intenção de gerar benefícios sociais e ambientais que possam ser medidos junto com retornos financeiros. A rede Global Impact Investing Network (GIIN), uma das maiores e mais influentes redes de investimento de impacto, vem colaborando com investidores há dez anos para aumentar a escala e a efetividade de suas práticas. Agora, em uma parceria com a Global Restoration Initiative, do WRI, a GIIN desenvolveu um guia para investimentos sustentáveis e responsáveis em silvicultura por meio do Navigating Impact Project, um componente do sistema IRIS+ System. Essa parceria habilita investidores a selecionar estratégias de silvicultura sustentável e acessar métricas e dados para medir o progresso de seus projetos.

Conservação e restauração podem render grandes resultados

Mesmo com o contínuo declínio das florestas ao redor do mundo, muitas comunidades – especialmente as mais pobres – continuam dependendo de terra e florestas para suas vidas. Com os benefícios das florestas se tornando mais claros e valorizados, investidores em silvicultura sustentável passam a ter retornos financeiros mais vantajosos do que em madeira convencional.

Investidores já começaram a colocar dinheiro em silvicultura inovadora, em projetos baseados no uso da terra e em árvores. Esses projetos tem foco em gerar lucro enquanto reduzem gases de efeito estufa, fortalecendo economias locais e aumentando a renda, ou melhorando os serviços ambientais como qualidade da água, qualidade do ar ou produtividade do solo.

A GIIN e o WRI identificaram cinco grandes oportunidades para investimentos de impacto em silvicultura sustentável. Cada um oferece exemplos de investimentos já existentes e que geram resultados impressionantes:

  1. Reduzir emissões de carbono da silvicultura e do uso da terra: o programa de restauração de mangues do Livelihoods Carbon Fund ilustra essa primeira estratégia. Mangues sequestram carbono ao mesmo tempo que permitem melhor produção para pescadores locais.
  2. Aumentar a conservação das florestas e recursos florestais: A Ecotrust Forest Management protege mais de 100 mil acres (40 mil hectares) de florestas nos estados americanos de Oregon, Washington e Califórnia. Essa floresta fornece habitat para salmão e truta e permite a produção de madeira legal sustentável certificada pelo Forest Stewardship Council (FSC).
  3. Aumentar a produção de madeira sustentável: O Finnfund co-financia a operação da Miro Forestry em Gana e Serra Leoa, na África, enquanto produz madeira compensada, madeira serrada, postes e biomassa em 13 mil hectares de plantação de floresta. O plantio de 14 milhões de árvores ajudou a restaurar uma paisagem anteriormente degradada e injetou US$ 7,6 milhões na economia local apenas em 2018.
  4. Aumentar a produção de produtos florestais não-madeireiros: A Root Capital trabalha com uma cooperativa de frutas orgânicas na Costa Rica. Além de reduzir uso de fertilizantes químicos e pesticidas, a cooperativa aumentou a média de renda por fazenda de US$ 650 a R$ 4.360 por ano.
  5. Aumentar a sustentabilidade das economias e comunidades locais por meio do uso da terra: O Moringa Fund oferece acesso a crédito, conhecimento técnico e acesso a mercado para pequenos produtores na Nicarágua por meio de investimentos para produzir café de alta qualidade e madeira em uma área de 1,8 mil hectares. Desde 2005, o programa ajudou a fortalecer a comunidade local gerando US$ 3,4 milhões e criando 880 empregos.

Investimentos de impacto em silvicultura sustentável também podem ajudar a atingir metas globais de sustentabilidade e desenvolvimento. Em restauração, por exemplo, investidores são parceiros financeiros na African Forest Landscape Restoration Initiative (AFR100), que tem como objetivo restaurar 100 milhões de hectares de áreas degradadas até 2030, e a Iniciativa 20x20, que se compromete a restaurar 20 milhões de hectares na América Latina e Caribe até 2020. Por meio dessas iniciativas, o setor privado destina mais de US$ 480 milhões para restauração na África e US$ 2,4 bilhões para América Latina.

Como garantir que investimentos em silvicultura sustentável tenham sucesso?

A silvicultura sustentável, porém, não é livre de riscos. Desafios ambientais como pragas, incêndios e desafios sócioeconômicos, como desmatamento ilegal, podem ser considerados como dificuldades para projetos florestais. Além do risco externo, práticas não sustentáveis, como plantio de espécies inapropriadas ou corte predatório, continuam sendo um desafio.

Investidores devem realizar a devida diligência para entender os possíveis impactos ecológicos de um projeto e os interesses da comunidade local. Uma das melhores formas de mitigar o risco e gerar impacto positivo é garantir que as comunidades locais estejam engajadas. Por exemplo, o Livelihoods Carbon Fund diz que a comunidade é o principal agente de mudança e continua sendo vital para o sucesso do projeto.

Com mais investidores explorando a silvicultura sustentável como uma oportunidade financeira, será crítico que eles entendam como navegar nesse complexo setor para gerar grandes resultados para as pessoas e para o planeta. Saiba mais em www.navigatingimpact.thegiin.org.

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