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Este mês na ciência climática, outubro e novembro: mais Ebola, pinguim-imperador rumo à extinção e tempestades persistentes

Este post foi publicado originalmente no WRI Insights.


Todos os meses, cientistas fazem novas descobertas que avançam nossa compreensão sobre as causas e os impactos das mudanças climáticas. As pesquisas nos dão uma noção mais clara das ameaças que já enfrentamos e apontam o que ainda está por vir se não reduzirmos as emissões em um ritmo mais rápido.

A série “Este mês na ciência climática”, do WRI, faz um resumo das pesquisas mais significativas de cada mês, compiladas de publicações científicas reconhecidas. Nesta edição são explorados alguns dos estudos publicados em outubro e novembro de 2019. (Para receber esse conteúdo diretamente em seu e-mail, em inglês, cadastre-se na newsletter “Hot Science”, do WRI.)

Impactos

As populações de aves na América do Norte diminuem significativamente: cientistas descobriram que as populações de pássaros caíram aproximadamente 30% – quase 3 bilhões de aves – desde 1970. Entre as aves, há espécies raras e abundantes. Os autores observam que ameaças às aves, como intensificação agrícola e perda de habitat, são todas exacerbadas pelas mudanças climáticas.

Mais Ebola: modelagens estimaram que o risco de o Ebola se espalhar de animais para humanos aumentará na África em um fator de 1,75 a 3,2 até 2070. A propagação de doenças será maior em áreas que enfrentam alto aquecimento e crescimento populacional e baixo desenvolvimento econômico.

A elevação do nível do mar ameaça mais pessoas do que se pensava: pesquisadores descobriram que o número de pessoas vulneráveis ​​à elevação do nível do mar é o triplo de estimativas anteriores. Em um cenário de baixas emissões, a elevação dos mares inundará áreas onde vivem 190 milhões de pessoas até o final do século. Esse número aumentaria para 630 milhões em um cenário de altas emissões.

Derretimento do gelo do mar Ártico alimenta doenças: o vírus da cinomose das focas (PDV) causou extensa mortalidade em focas no Atlântico Norte. Agora, a doença está se espalhando para outras espécies de focas e lontras marinhas, além do Atlântico e do Pacífico. Cientistas supõem que, devido às reduções na extensão do gelo do Ártico, os mamíferos marinhos estejam em maior contato, permitindo maior transmissão de doenças.

Seca provocou o colapso do Império Assírio: pesquisadores situaram a ascensão do Império Assírio em um período marcado por um clima úmido que durou séculos. Eles descobriram ainda que uma mega-seca causou declínio na produtividade agrícola, que por sua vez levou a instabilidades políticas, queda econômica e, por fim, colapso da civilização.

Pontos de virada perigosamente próximos: ponto de inflexão é um limiar que, quando atingido, causa mudanças significativas no sistema da Terra – como a desintegração da camada de gelo da Antártida Ocidental, o que causaria elevação catastrófica do nível do mar; ou a perda da Floresta Amazônica, o que causaria aquecimento descontrolado e o desaparecimento de inúmeras espécies. Os pontos de inflexão têm conseqüências catastróficas e irreversíveis. Um novo estudo constatou que várias situações como essa estão próximas e que algumas poderão acontecer mesmo que a elevação da temperatura global seja limitada entre 1°C e 2°C.

Pinguins marcham em direção à extinção: cientistas descobriram que as populações de pinguins-imperador diminuirão em pelo menos 80% até 2100 se o aquecimento continuar intocado. As populações diminuirão pelo menos 31% mesmo que o aumento da temperatura global seja limitado a 1,5°C e 44% a 2°C.

O aquecimento enfraquece as pontes dos EUA: pesquisadores descobriram que o aquecimento aumenta o mau funcionamento das pontes nos Estados Unidos, que já estão se deteriorando, pois acumulam detritos e sujeira nas articulações.

Espécies marinhas em risco particular: a partir da análise de 239 estudos, cientistas descobriram que a composição das espécies muda devido às mudanças climáticas e a outros fatores estressantes. Os trópicos marinhos sofreram a maior perda de riqueza de espécies, especialmente no Atlântico ocidental e no noroeste da Austrália.

Emissões

Déficit de emissões é enorme: o Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2019 constatou que as emissões precisam ser reduzidas pela metade até 2030 e reduzidas 7,6% ao ano na próxima década para ter uma boa chance de limitar o aquecimento a 1,5°C, o limite necessário para evitar os piores impactos das mudanças climáticas.

O permafrost do Ártico emite mais do que absorve: o aquecimento do permafrost aumenta a decomposição dos micróbios no solo, liberando dióxido de carbono. Cientistas descobriram que a quantidade de dióxido de carbono que o permafrost está perdendo durante os meses de inverno agora é maior que a quantidade que absorve. Em um cenário moderado de redução de emissões, as emissões de dióxido de carbono no inverno do permafrost aumentarão 17% até o final do século e 41% se o aquecimento continuar inabalável.

Emissões do desmatamento mais altas do que o esperado: estimativas anteriores sobre as emissões de carbono decorrentes do desmatamento nos trópicos não consideraram fatores como exploração seletiva, fragmentação florestal e perda de capacidade de sequestro de carbono pelas florestas. Quando esses fatores são incluídos, o impacto do carbono resultante da perda de florestas tropicais intactas aumenta em um fator de 6. Consequentemente, o benefício climático associado à proteção de florestas tropicais intactas, que abrigam uma tremenda biodiversidade, é muito maior do que se supunha anteriormente.

Óxido nitroso em ascensão: usando novos métodos de estimativa, cientistas descobriram que os níveis atmosféricos de óxido nitroso, um gás de efeito estufa e que destrói o ozônio, aumentaram significativamente após 2009, especialmente no leste da Ásia e na América do Sul. Os pesquisadores concluíram que as metodologias tradicionais de estimativa subestimavam o aumento da taxa de emissões.

O benefício climático das hidrelétricas varia: a construção de hidrelétricas requer que se inundem ecossistemas, o que pode afetar o ciclo do carbono e transformar a paisagem em fonte de carbono, em vez de um sumidouro, por conta da submersão da vegetação. Um estudo constatou que, embora a energia hidrelétrica seja menos intensiva em termos de emissões do que o carvão e o gás natural, em certos locais, pode ter maiores impactos climáticos. A energia hidrelétrica leva a mais emissões do que a eletricidade gerada por gás natural na África Ocidental e em partes da América do Sul, e a mais emissões do que carvão na maioria das instalações da África Ocidental.

Eventos extremos

El Niño se tornará mais extremo: pesquisadores estudaram como eventos do El Niño, que pode causar secas e inundações graves, mudaram de 1901 para 2017. Eles descobriram que, desde os anos 1980, fortes eventos do El Niño coincidentes com o aquecimento do planeta tornaram-se mais frequentes e devem causar “profundas conseqüências socioeconômicas” no futuro.

Clima fica "paralisado" no Hemisfério Norte: bloqueios atmosféricos são sistemas de alta pressão que persistem por dias a semanas, o que pode levar a eventos extremos prolongados. Cientistas descobriram que a área coberta por esses eventos bloqueadores aumentará em até 17% em um cenário de altas emissões, especialmente no Hemisfério Norte.

Nova relação entre danos causados ​​por furacões e mudanças climáticas: embora saiba-se que os danos econômicos associados a furacões aumentaram nos últimos anos, era difícil entender o quanto os danos estavam associados ao aumento da exposição da riqueza ao risco – por exemplo, mais pessoas vivendo em áreas vulneráveis ​​– ou às mudanças climáticas induzidas pelo homem. Os pesquisadores descobriram uma nova técnica para tornar comparáveis danos causados ​​pelos furacões nos Estados Unidos entre 1900 e 2018, e seguiu evidente que os furacões se tornaram muito mais danosos em um clima mais quente.

Gelo

Geleiras na Papua desaparecerão: cientistas projetaram que as geleiras na Papua, na Indonésia, provavelmente desaparecerão na próxima década. Estas são as únicas geleiras tropicais remanescentes entre os Andes e o Himalaia.

Drenagem de lagos glaciais: cientistas que estudam a dinâmica de drenagem de um lago na Groenlândia, afirmaram que a rápida drenagem por fraturas no gelo é mais extensa do que se pensava anteriormente. Essa drenagem, por sua vez, pode lubrificar a camada de gelo e levar a um fluxo de gelo mais rápido, resultando em níveis mais altos de aumento do nível do mar.

Derretimento glacial revela ilhas do Ártico: a marinha russa anunciou ter encontrado cinco novas ilhas no Ártico, que antes eram cobertas por geleiras.

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