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Um ano depois, finalistas do Desafio InoveMob seguem transformando a mobilidade urbana

Quem busca transformar realidades deve permanecer atento às transformações que ocorrem à sua volta. No meio disruptivo das startups, essa constatação é ainda mais verdadeira. Passados 12 meses da premiação do Desafio InoveMob, as cinco finalistas da iniciativa vivem momentos distintos – mas persistem, cada uma à sua maneira, na busca por soluções para a mobilidade nas grandes cidades.

“Se existe um grupo que está pensando mobilidade no Brasil hoje, a gente faz parte dele. Nos orgulhamos de estar entre esses cinco finalistas. São pessoas que nos inspiram muito e isso não deixa nossa ideia morrer”, diz Carolina Padilha, idealizadora e sócia-diretora do Carona a Pé.

O reconhecimento às startups continua. O campeão Bynd foi selecionado para a aceleradora Estação Hack, do Facebook e da Artemisia. Em outubro, o Carona a Pé foi destaque na etapa brasileira do Segundo Prêmio de Inovação Social da Fundação Mapfre. OnBoard Mobility e NINA também foram premiadas no 1º Desafio do COLETIVO, programa de inovação da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) que tem o WRI Brasil como parceiro – e a NINA ainda entrou para um concorrido programa global de aceleração.

Mentoria além-mar para ganhar escala

Desde que a plataforma de mobilidade e gênero começou a ser implementada em Fortaleza, como parte do InoveMob, a iniciativa tem gerado dados até então inéditos sobre gênero e mobilidade e deixado as passageiras mais tranquilas. “Este ano fizemos entrevistas com cinco usuárias e ouvimos frases como ‘Agora sei o que fazer’, ‘Agora sei para onde ir’ e ‘Tenho a NINA comigo’”, conta Simony César CEO e fundadora da startup, diretamente de Munique.

A viagem para a Alemanha integra a primeira etapa de um programa de aceleração global da MAN, empresa do grupo Volkswagen. NINA foi uma das oito startups selecionadas entre mais de 300 inscritas de 40 países. “O InoveMob permitiu que a NINA fosse implantada dentro de uma política pública. O Desafio do COLETIVO deu visibilidade para a parte comercial e já estamos bem avançados com a implantação em outras cinco cidades”, adianta Simony. Agora, o foco é em estruturar a startup para ganhar escala a partir da mentoria disponível de 300 especialistas do programa de aceleração que, além de Munique, passará por São Paulo, Lisboa e Joanesburgo. “Temos certo domínio da pauta de gênero, mas não da parte de operação e de expansão de tecnologia comercial”, diz Simony.

<p>App para denunciar assédio no ônibus gerou dados em Fortaleza</p>

App para denunciar assédio no ônibus gerou dados em Fortaleza (Foto: Daniel Hunter/WRI Brasil)

Um passo atrás, dois à frente

Às vezes é preciso adaptar planos para avançar em um propósito. A OnBoard Mobility teve de fazer isso mais de uma vez. Primeiro quando a ideia de criar um cartão único para vários serviços de transporte foi substituída pelo Bipay, um sistema de recarga que permite, inclusive, recarga automatizada pelo chat do Facebook. Com o software implementado em Belo Horizonte e região metropolitana e contratado pela SPTrans, a startup agora avança no universo do desenvolvimento de hardware.

“Estudos dos anos 2000 mostram que o fato de os sistemas de bilhetagem serem fechados impediu que inovações externas chegassem ao sistema de transporte coletivo”, explica o CEO e cofundador Luiz Renato Mattos. Por isso, a OnBoard está desenvolvendo um equipamento baseado em software livre e compatível com os sistemas antigos ainda em uso. Uma rodada de investimentos em novembro deu fôlego para a nova empreitada, que já tem encaminhado um projeto-piloto em 401 ônibus no sul do país. “Nosso equipamento será ao menos quatro vezes mais barato do que os utilizados no Brasil. Dos 107 mil ônibus em operação no país, 14 mil já mostraram interesse”, conta Mattos. “Estamos vivendo nosso melhor momento.”

Gigantes à vista: reavaliando rota

A proliferação de iniciativas disruptivas em mobilidade reserva imprevistos. Quando se destacou no InoveMob, a Bikxi comemorava o crescimento de seu aplicativo de compartilhamento de viagens em bicicletas. “Em 2018, fechamos grandes contratos com grandes parceiros, como Instagram, Ambev, Pepsico, validando muito o modelo”, relembra o fundador e CEO Danilo Lamy.

Mas a virada do ano trouxe concorrentes de peso, como Yellow e Grin. Os anunciantes não renovaram contratos, a conta deixou de fechar e, em abril, a Bikxi saiu de cena. As bikes seguem a postos enquanto Lamy busca o melhor momento – e modelo – para voltar a operar. Vê na proposta o diferencial de abrir o mundo das bicicletas a pessoas com deficiência e tem a sensação de missão cumprida: “Nossa proposta sempre foi trazer pessoas para a bicicleta e acho que contribuímos muito para essa mudança”.

Caminhos no público e no privado

O Carona a Pé tem desvendado o caminho ao caminhar – como centenas de crianças que, graças à iniciativa, descobrem a cidade no trajeto para a escola. “Hoje sabemos que nosso foco de atuação é com as escolas particulares em um modelo, e com as escolas públicas em outro, por meio de parcerias de apoio privado”, explica a fundadora Carolina Padilha, que compartilha a diretoria da startup com as sócias Juliana Levy e Renata Morettin.

A iniciativa segue em expansão nas duas frentes. Depois de implementarem o projeto em 7 escolas públicas de Belo Horizonte pelo InoveMob, uma parceria com a Toyota do Brasil vai levar o Carona a Pé a 15 escolas municipais de Sorocaba em 2020. Por outro lado, em evento para escolas particulares com apoio da Toyota Mobility Foundation, estão com o projeto encaminhado em mais 10 instituições da capital paulista. “Estávamos sentindo falta de crescer em São Paulo, para outras escolas particulares”, explica Juliana.

Protagonismo para acelerar transformação

Um dos fundadores do Bynd, Gustavo Gracitelli credita à mentoria e à visibilidade por ter vencido o InoveMob conquistas recentes como a captação de R$ 1,2 milhão em uma rodada de investimentos. O fôlego vem para o aperfeiçoamento da tecnologia: com novas funções, como a possibilidade de compartilhar com colegas outros trajetos além da ida e volta do trabalho, e consultoria para melhorar a experiência dos usuários do app de mobilidade corporativa.

Para acompanhar o crescimento do serviço, a equipe foi expandida e conta hoje com 13 colaboradores. As 18 mil caronas de 2018 mais do que quintuplicaram neste ano, e a expectativa é de fechar três novos contratos ainda em 2019, chegando a 20 empresas. “A vontade é de romper logo a barreira da empresa pequenina, passar dos 40 clientes”, diz Gracitelli, que também comemora o recente lançamento do Índice de Mobilidade Corporativa, segundo ele um trabalho de “cultura e ativismo”. “Queremos mostrar o quanto a pauta da mobilidade é importante para as empresas, que têm de assumir esse protagonismo. E queremos ser a startup protagonista desse movimento”, sentencia.

As cinco iniciativas mostram que networking, mentoria e compartilhamento de desafios e soluções ajudam a pavimentar o caminho da inovação em mobilidade. E que o caminho é mais fácil se formos juntos.

O Desafio InoveMob foi promovido pela Toyota Mobility Foundation e pelo WRI Brasil em parceria com a Frente Nacional de Prefeitos (FNP). Cada um dos cinco semi-finalistas recebeu US$ 20 mil para implementar um projeto-piloto. Como vencedor, o Bynd ainda recebeu R$ 400 mil para dar escala ao seu projeto.

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