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10 grandes transformações das florestas na última década

Este blog foi publicado originalmente no Insights.


A década passada foi essencial para as florestas do mundo. Os anos de 2010 testemunharam um aumento sem precedentes de novos comprometimentos – desde governos até do setor privado – para colocar o desmatamento sob controle. O REDD+ da ONU, a Declaração de Florestas de Nova York e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável determinaram metas ambiciosas para conservar e restaurar milhões de hectares de florestas.

Mas com o final de uma década e começo de outra, está claro também que o mundo não conseguiu cumprir todas as suas metas florestais. Enquanto os impactos das mudanças climáticas estão aparecendo ao redor do mundo, as florestas — uma ferramenta inestimável para a mitigação climática — seguem sendo derrubadas em altas taxas. Líderes em países-chave estão retrocedendo da proteção das florestas.

Todos esses fatores moldaram a paisagem florestal de hoje e colocam o mundo em uma era de incertezas. Neste blog, especialistas em florestas do WRI refletem sobre as 10 maiores mudanças para as florestas na década passada, e o que devemos esperar para 2020 e além.

1. Perda de florestas primárias manteve-se alta no mundo

Por Mikaela Weisse

Apesar dos esforços internacionais, a perda de florestas tropicais primárias continuou na década passada. Os três últimos anos com dados disponíveis — (2016, 2017 e 2018) registraram as três maiores taxas de perda de florestas primárias desde o início do século. A perda de florestas primárias atingiu um pico notável em 2016 e 2017, principalmente por conta de incêndios na Amazônia brasileira, que atraíram novamente as manchetes internacionais em 2019.

Apesar da taxa de perda de florestas primárias atual ser similar à de 2010, o que mudou foi a contribuição de diferentes países. Por exemplo, a Indonésia reduziu sua perda de florestas primárias em 37% entre 2010 e 2018, em parte por conta de políticas governamentais – apesar de que essa conquista pode ficar ofuscada por conta de mais uma forte temporada de incêndios no final de 2019. A República Democrática do Congo, por outro lado, quase dobrou a taxa de conversão de florestas primárias entre 2010 e 2018. O país é agora o segundo, atrás apenas do Brasil, na quantidade de florestas derrubadas por ano. Colômbia provavelmente também viu a perda de floresta primária dobrar.

A grande questão para a próxima década é se nós finalmente começaremos a ver provas de que os esforços para reduzir o desmatamento refletem nos números de perda de florestas primárias. A ferramenta Global Forest Watch continuará monitorando e reportando as últimas mudanças.

2. Novas tecnologias facilitaram o monitoramento de florestas...

Por Rod Taylor

Inovações em sensoriamento remoto e computação na nuvem tornaram disponíveis para os usuários dados geoespaciais globais de alta resolução em formatos amigáveis e de baixo custo. Atualmente está mais fácil do que nunca entender o que está acontecendo com as florestas e tomar decisões informadas sobre uso e manejo. Por exemplo, o Global Forest Watch, lançado em 2014, tornou os dados de mudança do uso da terra da Universidade de Maryland disponíveis gratuitamente online em mapas e gráficos dinâmicos e fáceis de serem compreendidos.

Ferramentas mais próximas do chão, como drones, celulares e redes de sensores wireless tornaram mais fácil encontrar e observar localizações precisas no campo. Avanços em tecnologia da informação, conectividade da internet, sistemas de GPS e equipamentos para escanear permitiram rastrear as cadeias de fornecimento de produtos florestais e commodities agrícolas, ajudando empresas a serem mais responsáveis com as matérias-primas.

A próxima década oferece a perspectiva de uma tecnologia ainda mais potente. Novos satélites com radar e sensores óticos de resolução extremamente alta vão superar as limitações impostas pela cobertura de nuvens e ajudar a revelar formas de degradação de ecossistemas hoje não registradas. A Global Ecosystem Dynamics Investigation, da Nasa, ajudará a mapear biomassa e estrutura florestal a partir do espaço, gerando abordagens sofisticadas para quantificar o carbono da floresta.

Novas tecnologias de mineração de dados, como processamento de linguagens naturais e coleta de dados web, oferecem a perspectiva de análises de políticas mais rápidas e decisivas, e uma melhor habilidade em entender a economia política e social ao redor das florestas. O aumento da potência da computação em nuvem, junto com novas técnicas de machine learning, devem acelerar o processamento de imagens e aumentar os aprendizados tirados dos dados de sensoriamento remoto.

3. …Mas a tecnologia para o monitoramento da biodiversidade ficou para trás

Por Laura Vary

Espécies estão desaparecendo a uma velocidade 100 vezes maior do que a taxa natural de extinção, com declínios massivos de espécies que vão desde insetos, até pássaros e lêmures. Mas apesar da crescente preocupação, nossa habilidade de monitorar essas mudanças e medir a perda da biodiversidade de forma consistente permanece ilusória.

O tipo de inovação tecnológica que permitiria o monitoramento da floresta quase em tempo real ainda não chegou para o monitoramento da biodiversidade. No início da década, nós estávamos empolgados com o potencial que escaneadores de DNA traziam para o setor, com a possibilidade de identificar qualquer espécie em minutos, e com o sensoriamento remoto que poderia criar mapas completos de espécies. Essas tecnologias prometiam uma melhor compreensão da variedade de espécies, detecção prematura de espécies ameaçadas e possíveis causas de extinções.

Com essas promessas no horizonte, empresas e governos fizeram comprometimentos para prevenir a perda da biodiversidade e reportar o progresso. No entanto, a tecnologia se desenvolveu de maneira muito lenta para poder ser usada no monitoramento do progresso desses compromissos, e apenas agora está disponível para algumas espécies ou regiões do mundo. Sem as ferramentas certas para o trabalho, as políticas de proteção da biodiversidade focaram no aumento das áreas protegidas como uma solução genérica, apesar de suas limitações.

Apesar da proteção e conservação de florestas ainda ser importante para políticas de prevenção da perda da biodiversidade, nós precisamos ser capazes de medir a biodiversidade diretamente. Na próxima década, as tecnologias prometidas poderão finalmente estar prontas para ajudar a desacelerar o ritmo de extinções e proteger a biodiversidade de nosso planeta.

<p>Enquanto espécies que amamos, como os lêmures, seguem sendo ameaçadas, nós precisamos de tecnologia para melhor medir a biodiversidade (Foto: Andry Rasamuel/WRI Africa)</p>

Enquanto espécies que amamos, como os lêmures, seguem sendo ameaçadas, nós precisamos de tecnologia para melhor medir a biodiversidade (Foto: Andry Rasamuel/WRI Africa)

4. As mudanças climáticas agrediram os ecossistemas florestais

Por Fred Stolle

As florestas são uma proteção importante contra as mudanças climáticas, pois absorvem um terço do carbono que emitimos todos os anos, mantendo padrões de chuvas estáveis e moderando temperaturas extremas. Esse guardião do clima foi sobrecarregado nos últimos 10 anos e agora está sofrendo as consequências de um mundo em aquecimento.

Os incêndios queimaram florestas tropicais degradadas no Brasil e na Indonésia, enquanto as florestas temperadas e boreais sofreram com incêndios sem precedentes, desde as primitivas florestas do Alasca até as colinas densamente povoadas da Califórnia. Condições mais quentes e mais secas também permitiram que espécies de insetos como o besouro-do-pinheiro assolassem grandes extensões de floresta no Canadá e nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que a seca enfraqueceu árvores na Alemanha, causando um declínio em massa.

O aumento do nível do mar está ameaçando as florestas de mangue – um ecossistema florestal incrivelmente rico em carbono que evita a erosão da costa e abriga alta diversidade de espécies marinhas. A extensão dos manguezais já está em declínio em áreas costeiras áridas como na Austrália e ao longo de rios em regiões do Caribe e do Indo-Pacífico.

Se quisermos mitigar os impactos das mudanças climáticas na próxima década, tanto na escala global como local, devemos proteger florestas primárias, reduzir a perda florestal, aumentar a cobertura arbórea e limitar os distúrbios causados pelo homem nas florestas. Só assim as florestas poderão continuar fornecendo os serviços climáticos que precisamos.

5. Florestas e pessoas se tornaram cada vez mais interconectadas

By Nancy Harris

Há 800 milhões de pessoas a mais no planeta agora do que há uma década e a crescente demanda por alimentos, combustível e fibra provocou mudanças drásticas nas florestas em todo o mundo. Nos trópicos, as florestas primárias continuam em declínio. As florestas secundárias em regeneração agora são recorrentes em paisagens tropicais; muitas são integradas em mosaicos de agricultura e florestas que sustentam de 200 a 300 milhões de pessoas. As terras cobertas por plantações florestais estão em um nível histórico, enquanto as florestas urbanas melhoram a qualidade de vida nas cidades, onde vive mais da metade da população mundial. A fronteira entre florestas e desenvolvimento humano nunca foi tão confusa.

Mesmo após décadas de recuperação, as florestas degradadas têm estoques de carbono mais baixos e composições de espécies menos diversas que as florestas primárias. Quais são as nossas opções? Restaurar as florestas em sua extensão histórica completa é quase impossível, mas isso não significa que devemos aceitar mudanças futuras como inevitáveis. Em muitas regiões, a última chance de proteger florestas intactas é agora, e essa deve ser nossa primeira linha de defesa.

Em outros lugares, o manejo sustentável de florestas secundárias, plantações e árvores em paisagens agrícolas e urbanas será vital. Esses sistemas podem aliviar a pressão sobre as florestas primárias remanescentes enquanto expandem as economias rurais, melhoram a saúde humana, regulam as tempestades e reduzem o efeito das ilhas de calor nas cidades. Na próxima década precisamos trabalhar por um mundo em que florestas e árvores sejam reconhecidas pelos serviços ecológicos que prestam da mesma maneira que pela produção de madeira ou por dar lugar a novas terras agrícolas e no qual a responsabilidade pela proteção das florestas seja compartilhada por todos.

<p>A fronteira entre florestas e desenvolvimento humano nunca foi tão confusa (foto: Mokhamad Edliadi/CIFOR)</p>

A fronteira entre florestas e desenvolvimento humano nunca foi tão confusa (foto: Mokhamad Edliadi/CIFOR)

6. O REDD+ teve um renascimento apesar do começo tortuoso

By Frances Seymour

Um acordo global sobre conservação florestal tem sido uma ilusão desde que as negociações entraram em colapso no período que antecedeu a Cúpula da Terra do Rio, em 1992. O amplo consenso sobre REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal, além de conservação, manejo sustentável de florestas e aprimoramento dos estoques de carbono florestal), uma estrutura da ONU finalizada em 2013, na qual os países industrializados dão incentivos financeiros aos países em desenvolvimento para proteger e gerenciar de forma sustentável as florestas, é que o conceito foi uma das conquistas mais significativas da última década.

O entusiasmo inicial pelo REDD+ minguou sem o financiamento em larga escala que se esperava do mercado global de carbono e pela lentidão de desembolso do financiamento público. Os primeiros críticos citaram o fraco desempenho de iniciativas em escala de projeto, mesmo que o REDD+ tenha sido pensado para implementação em nível nacional ou subnacional. No entanto, a explosão inicial de empolgação com o REDD+ continuou a se espalhar por dezenas de países em desenvolvimento ao longo da década. Países, estados e províncias progrediram significativamente ao estabelecer sistemas de monitoramento florestal, níveis de referência de emissão, planos de ação e sistemas de salvaguarda necessários para reduzir a perda de florestas e se tornarem elegíveis para pagamentos baseados em resultados.

Agora, no final da década, o REDD+ está passando por um renascimento. No último ano, houve um aumento no número de acordos de pagamento por desempenho assinados por entidades como o FCPF Carbon Fund e o Green Climate Fund (assim como um novo acordo bilateral entre a Noruega e o Gabão), novos padrões em desenvolvimento (como o TREES) e novas perspectivas de financiamento do setor privado (como no ICAO CORSIA).

Novas pesquisas concentraram a atenção no potencial de mitigação de "soluções baseadas na natureza" para as mudanças climáticas, desafio para o qual a proteção e a restauração das florestas são fundamentais. Nos próximos anos, espere mais financiamento para REDD + e preços mais altos por tonelada de emissões evitadas. Juntos, esses incentivos finalmente vão pôr à prova a tese de que recompensas materiais levarão os governos a priorizar as florestas.

7. Commodities foram “descommoditizadas”

Por Luiz Amaral

Ao longo do século 20, muitos ingredientes de alimentos foram comercializados em massa, sem diferenciação, e vendidos de acordo com preços globais. Mas a última década viu o início de uma "descommoditização" dos mercados de commodities. Em outras palavras, produtos que antes eram homogêneos estão sendo agora diferenciados segundo a forma como são produzidos, motivado principalmente por uma demanda do consumidor.

Os anos 2010s viram um crescimento na certificação. Por exemplo, a Roundtable on Sustainable Palm Oil foi fundada em 2004, mas 98% das certificações do óleo de palma foram feitas nos últimos dez anos. Iniciativas globais envolvendo parceiros múltiplos, como a Declaração de Florestas de Nova York, o Consumers Goods Forum e a TFA2020 foram lançadas com fortes comprometimentos para eliminar o desmatamento da cadeia de fornecimento da agricultura. Na prática, isso significa diferenciar dois produtos que parecem iguais entre "aceitáveis" ou "não-aceitáveis".

Essa revolução tem suas limitações. Os comprometimentos ainda não entregaram os impactos prometidos, e ainda estão limitados aos mercados consumidores mais ricos. Sozinhos, eles não resolverão o desafio global de alimentar a população ao mesmo tempo em que se protege as florestas, mas essa tendência deve se intensificar nos próximos dez anos. O desejo por produtos livres de desmatamento pode ter iniciado essa tendência, mas não se pode parar por aí. Outras preocupações éticas e de sustentabilidade como renda rural, segurança alimentar e mesmo qualidade e sabor dos produtos vão romper ainda mais o mercado homogeneizado.

A questão que fica para a próxima década é: será uma tendência lenta ou será completamente disruptiva? A resposta vai depender da capacidade da tecnologia reduzir os custos de transação para permitir diferenciar itens que possam competir com mercados padronizados de commodities.

8. Compromissos de restauração se multiplicaram, mas ações foram insuficientes

Por Sean DeWitt

Em resposta ao desmatamento e à degradação generalizados em todo o mundo, países e ONGs se uniram em 2011 para lançar o Desafio de Bonn, um esforço para restaurar terras aráveis, florestas e pastagens até 2020. A Declaração de Nova York sobre Florestas fortaleceu esse compromisso.

Nos próximos oito anos, 62 países se comprometeram a tornar mais de 170 milhões de hectares de terras degradadas produtivos novamente, principalmente por meio de parcerias lideradas por países como AFR100 na África, Iniciativa 20x20 na América Latina e ECCA30 na Europa e Ásia Central. Investidores de impacto e parceiros técnicos também entraram em ação, prometendo bilhões de dólares para restauração, à medida que os países começaram a mudar suas políticas.

Mas o desmatamento continua a se expandir rapidamente. Entre 2014 e 2018, o mundo perdeu outros 120 milhões de hectares de cobertura arbórea, uma área maior que a Colômbia, enquanto apenas cerca de 30 milhões de hectares de terra estão sendo restaurados, de acordo com dados relatados por países.

Embora o desmatamento ainda supere a restauração, há esperança. Uma melhor compreensão de como a restauração contribui para o desenvolvimento rural, a saúde de ecossistemas e a mitigação das mudanças climáticas levou países e empresas a agir. Grandes multinacionais estão investindo na restauração, enquanto países como o Malawi têm financiado programas que empregam jovens para restaurar a terra. No Equador, investidores de impacto como o 12Tree trabalham com agricultores para construir negócios lucrativos que protegem e restauram florestas. Essa tendência se repete em todo o mundo, conforme se tornou possível acompanhar de perto o seu avanço, especialmente onde ela beneficia comunidades rurais diretamente.

O que vem a seguir? A Década das Nações Unidas sobre Restauração de Ecossistemas começa em 2021. É necessário um melhor planejamento local, especialmente em paisagens onde a proteção das florestas, a agricultura sustentável e a restauração são essenciais. Precisamos estimular comunidades e empreendedores a cultivar árvores, e ajudar pequenos agricultores. E devemos mostrar que a restauração funciona e acelerar seu impacto.

<p>Para restaurar paisagens mais degradadas, governos e investidores precisam apoiar pequenas empresas como este viveiro de plantas no Malawi (foto: Sabin Ray / WRI)</p>

Para restaurar paisagens mais degradadas, governos e investidores precisam apoiar pequenas empresas como este viveiro de plantas no Malawi (foto: Sabin Ray / WRI)

9. Comunidades indígenas reivindicam seus direitos à floresta

Por Jessica Webb

Os povos indígenas e as comunidades locais habitam mais de 50% das terras do mundo e gerenciam pelo menos 17% do carbono armazenado nas florestas. Nos últimos 10 anos, uma bibliografia em expansão tem fornecido evidências da eficácia das comunidades indígenas como administradoras da floresta, e fortalecido o reconhecimento de que as agendas globais de conservação e clima não podem e não devem progredir sem esses povos.

Os números falam por si. Na Amazônia, as taxas de desmatamento (junto com as correspondentes emissões de carbono da floresta) são duas a três vezes mais baixas em territórios indígenas legalmente reconhecidos do que fora deles. A proliferação de smartphones e redes celulares conectou ao mundo muitas comunidades remotas historicamente isoladas. Aplicativos para registrar ameaças ambientais e violações de direitos humanos, mapear territórios e facilitar o compartilhamento em mídias sociais permitiram mais ação coletiva e mobilização social.

Mas a maior exposição dos povos indígenas também os tornou um alvo. A Global Witness constatou que mais de 1,7 mil defensores do meio ambiente e da terra já foram mortos neste século, com uma média de mais de três assassinados a cada semana em 2018. Cerca de 25% a 40% são indígenas, embora esses povos representem apenas 5% da população mundial.

A partir de 2020, aumentarão o papel e a visibilidade dos povos indígenas no alcance dos objetivos ambientais. A maré da opinião pública está mudando, com maior preocupação com impactos do desmatamento sobre as comunidades indígenas. Também devemos esperar que agências doadoras, ONGs e instituições internacionais continuem alocando recursos para apoiar os interesses indígenas. Os jovens ativistas indígenas também terão um papel maior na mobilização das massas para a ação climática.

10. Declínio de lideranças políticas na área ambiental

Por Chip Barber

Na década passada testemunhamos o aumento do populismo nos países em desenvolvimento e nos países desenvolvidos, uma má notícia para as florestas do mundo e para quem procura defendê-las.

Florestas sofreram com os esforços populistas para deslegitimar a ciência ambiental, demonizar ONGs e limitar o acesso à informação. A conservação das florestas e o alcance do desenvolvimento sustentável tornaram-se mais difíceis em países onde os líderes políticos pisotearam as liberdades democráticas, rejeitaram a ciência ou fecharam os olhos ao Estado de Direito.

Ao mesmo tempo, o multilateralismo que permitiu um acordo sobre as Convenções das Nações Unidas sobre Mudança Climática e Diversidade Biológica em 1992, bem como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e o Acordo Climático de Paris, em 2015, foi se revelando progressivamente. A falta de ação na reunião climática de Madri em dezembro de 2019 — em grande parte devido à intransigência de líderes de grandes países emissores — é a demonstração mais visível e mais recente de que muitos líderes nacionais estão desconectados das demandas de seus cidadãos. O tratado de biodiversidade e outras iniciativas da ONU relacionadas à floresta são quase invisíveis ao público (alguém sabe mesmo que existe um "Plano Estratégico das Nações Unidas para as Florestas"?) e têm pouco efeito real sobre as florestas.

As lideranças globais estão vacilando na área ambiental. Embora empresas e ONGs estejam se esforçando para nos guiar para fora dessa selvageria ambiental, as evidências da última década mostram que CEOs bem-intencionados ou plataformas de dados não substituem completamente o poder e a autoridade dos governos. Talvez a nova geração de ativistas possa nos ajudar a mudar de direção. Mas nas próximas décadas e além, todos precisaremos nos reorientar para sermos mais do que apenas "consumidores" ou "eleitores". Precisamos mais uma vez tornarmo-nos cidadãos, pressionando nossos líderes pela mudança que queremos.

Uma nova década para as florestas do mundo

Quando começamos uma nova década, carregamos conosco os sucessos e fracassos da década anterior. Renovação da liderança, avanço tecnológico contínuo e as contribuições importantes de indivíduos dedicados a proteger seus meios de subsistência e seu patrimônio natural serão essenciais para os próximos anos.

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