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Em Yale, futuros líderes da restauração aprendem a atrair investimentos para as florestas

A restauração florestal é uma das ferramentas mais efetivas para enfrentar as mudanças climáticas, gerar recursos para produtores rurais e melhorar a vida das pessoas e do meio ambiente.

Essa restauração exige investimentos. E há recursos internacionais disponíveis para investir em plantar florestas. Empresas privadas, doadores e fundos de investimento já se comprometeram a investir mais de US$ 2,6 bilhões em restauração nos países da América Latina, por meio da Iniciativa 20x20. Porém, até o momento menos da metade desse compromisso foi de fato investido.

Qual a razão da dificuldade em atrair os recursos já existentes para projetos de restauração já em andamento? Um dos motivos é que os líderes de projetos de restauração conhecem pouco do mundo dos investimentos. Eles em geral são muito bons em analisar o meio ambiente, conhecer as espécies de árvores e a importância ecológica do plantio, mas não têm os conhecimentos financeiros necessários para atrair investimentos e mostrar que seus projetos são sólidos e rentáveis.

Uma parceria entre o projeto VERENA, do WRI Brasil, e a universidade de Yale, nos Estados Unidos, busca enfrentar esse gargalo. Essa parceria permitirá trazer conhecimento para empresários e gerentes de projetos de restauração, ajudando a viabilizar investimentos para plantar florestas com fins econômicos e ecológicos.

Atraindo recursos para as florestas

A Yale School of Forestry and Environmental Studies tem um prestigiado programa de estudos voltados para líderes da restauração nos trópicos. Esse programa ensina como desenhar, implementar e monitorar a restauração no campo, acompanhando experiências em países como Brasil, Colômbia, Filipinas e Indonésia. Este ano, o programa também contará com uma disciplina chamada “How to Value a Restoration Project?” (Como valorar um projeto de restauração?). O curso, ministrado pelo analista de investimentos do WRI Brasil Alan Batista, parte das ferramentas e conceitos desenvolvidos pelo projeto VERENA para ensinar os líderes da restauração a avaliar e apresentar projetos para potenciais financiadores.

“Com essa parceria, vamos ajudar esses profissionais a destravar os investimentos privados que já existem, mas não estão sendo alocados na restauração no momento”, diz Batista. “O resultado pode ter um efeito multiplicador, espalhando o conhecimento financeiro por meio das pessoas que restauram florestas e dando escala à restauração”.

No programa, cada estudante precisa apresentar um projeto experimental final, que é desenhar um projeto de conservação e restauração. Com a parceria, cada projeto precisará ter um componente financeiro para ser aprovado, e esse componente será revisado pelo time do WRI Brasil. Isso permitirá incorporar aos projetos o conceito de restauração voltada para o mercado, ajudando a criar modelos que possam atrair investimentos públicos e privados no futuro.

VERENA global

A parceria faz parte da segunda fase do projeto VERENA, que busca ampliar os modelos de restauração com nativas globalmente. O projeto VERENA, sigla para Valorização Econômica do Reflorestamento com Espécies Nativas, foi criado em 2015 para mostrar a viabilidade técnica e econômica da restauração e reflorestamento com espécies nativas em larga escala no Brasil. Na sua primeira fase, o projeto analisou as operações de 12 empresas que eram bem-sucedidas em fazer restauração com fins econômicos, e criou um modelo financeiro para ajudar a atrair investimentos para a restauração.

Agora, o projeto entra em sua segunda fase, com um esforço de executar e espalhar o conhecimento gerado. A ideia é internacionalizar as experiências brasileiras de sucesso, por meio de intercâmbios com outros países, como México e Índia, ou no setor educacional, com o objetivo de treinar os futuros líderes a pensarem projetos de restauração considerando também as questões financeiras envolvidas. Desta forma, será possível dar escala a restauração e ajuda a cumprir a ousada meta do Desafio de Bonn, de restaurar 350 milhões de hectares de florestas até 2030.

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