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Nove mapas que explicam as florestas do mundo

Essa postagem foi feita em coautoria com Dave Thau, desenvolvedor sênior do Google Earth Enginee, a plataforma de imagens por satélite do Google.

No momento em que o desmatamento é descoberto, em geral é tarde demais para fazer algo.

Os cientistas vêm estudando as florestas por séculos, descobrindo a importância vital desses ecossistemas para a sociedade humana. Mas a maioria de nós ainda não tem informações confiáveis sobre onde, quando e por que as florestas estão desaparecendo. Isso está prestes a mudar com o lançamento do Global Forest Watch, um sistema de monitoramento criado pelo WRI e mais de 40 parceiros. O Global Forest Watch usa tecnologias de ponta para mapear as florestas do mundo com imagens por satélite, detectar mudanças na cobertura das árvores em tempo quase real e tornar essa informação disponível gratuitamente para qualquer um com acesso à internet. Um sistema de monitoramento criado pelo WRI e mais de 40 parceiros.

Com o Global Forest Watch, qualquer um, de executivos a políticos e grupos indígenas, pode saber o que está acontecendo nas florestas ao redor do mundo - e utilizar essa informação para agir. Agora que temos a habilidade de observar as florestas ao redor do mundo, estão surgindo algumas histórias a serem contadas:

1) A perda de cobertura de árvores global excede muito o ganho

Dados da Universidade de Maryland e do Google mostram que o mundo perdeu 2,3 milhões de quilômetros quadrados de cobertura de árvores entre 2000 e 2012 - o equivalente a perder 50 campos de futebol de florestas a cada minuto ao longo dos últimos 13 anos. Em comparação, apenas 0,8 milhões de quilômetros quadrados cresceram, foram plantados ou restituídos durante o mesmo período.

2) O desenvolvimento de óleo de palma está causando o desmatamento das florestas protegidas da Indonésia

O sistema FORMA - que produz alertas mensais que apontam blocos de 500x500 metros onde possa ter ocorrido a perda de cobertura de árvores recente - indica desmatamentos massivos no Parque Nacional Tesso Nilo, na Indonésia, durante os últimos sete anos. O Greenpeace, que se baseou nos dados do FORMA para produzir o seu relatório Licença para Matar, descobriu que as plantações de óleo de palma são culpadas pela maior parte do desmatamento.

3) Os hotspots de biodiversidade da Bacia do Congo estão sob ameaça

As florestas são a casa de mais da metade da biodiversidade terrestre do mundo. A eco-região da África Central do Afromonte do Leste - mostrada na tela - abriga diversas populações de animais ameaçados e em perigo de extinção, como chimpanzés e gorilas. Perda de cobertura de árvore significante parece estar ocorrendo nessa região, destruindo um habitat importante para essas espécies.

O Instituto Jane Goodall, parceiro do GFW, que usa dados da Universidade de Maryland e outros dados florestais para auxiliar os governos, comunidades locais e outros parceiros para detectar a perda de habitat de grandes símios, descobriu que 2,4% das florestas com zonas de chimpanzés foram destruídos na África durante os últimos 12 anos. Isso é equivalente a perder dois mil campos de futebol de floresta todo dia!

4) As taxas de desmatamento estão caindo na Amazônia Brasileira

Apesar de o Brasil liderar o ranking dos maiores desmatadores, existem notícias positivas para relatar. A taxa de desmatamento no país diminui em uma média de 1,3 quilômetro quadrado por ano durante a última década, apesar de um aumento recente em 2013. A queda das taxas de desmatamento no Brasil deve-se em parte devido à melhora das políticas e da aplicação das leis - apoiadas pelos sistemas mensais de alerta de desmatamento por satélite. O mapa acima compara o desmatamento de 2000-2006 com o desmatamento de 2006-2012 utilizando dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) desenvolvido pelo Imazon, uma ONG brasileira e um parceiro GFW.

5) As florestas em territórios indígenas são protegidas no Brasil

O território tradicional da tribo Surui no Brasil é uma ilha verde cercada de terras que sofreram uma degradação e desmatamento consideráveis durante os últimos dez anos. As comunidades indígenas com frequência dependem de suas florestas para sua subsistência e herança cultural e, portanto, têm um forte incentivo para gerir as florestas de maneira sustentável. Entretanto, muitas comunidades indígenas lutam para proteger as suas terras da invasão de madeireiros ilegais. A Global Forest Watch pode auxiliar essas comunidades a chamar atenção para esse problema.

6) As florestas intactas da British Columbia estão ameaçadas

As Florestas Intactas da Columbia Britânica, representadas em verde-claro, estão cada vez mais ameaçadas. As pesquisas mostram que a derrubada de árvores, incêndios e doenças são as maiores ameaças. Essa é uma tendência preocupante. Essas florestas - também conhecidas como "florestas primárias" - têm um histórico de impacto humano mínimo, o que as torna especialmente valiosas para a biodiversidade, o armazenamento de carbono e a provisão de serviços ambientais como a filtração de água e ar. A British Columbia tem uma grande variedade de florestas temperadas, incluindo a Floresta Tropical Great Bear (vista acima, junto a costa do litoral). A floresta é a casa de subespécies raras de urso-negro que com frequência tem pelagem branca e são considerados sagrados pelas tribos indígenas da Columbia Britânica.

7) A florestas do sul dos EUA apresentam uma das maiores taxas de perda e reaparecimento do mundo

O sul dos EUA tem a região com a maior concentração de florestas daquele país, em torno de 29% do total. O mosaico intrincado de perda de cobertura de árvores (rosa) e ganho (azul) no mapa acima mostra como as florestas nessa região são usadas como mudas, árvores adultas e derrubadas em ciclos de cinco anos para produzir madeira ou polpa de madeira para a produção de papel. Na realidade, entre 2000 e 2012, quase um terço da cobertura de florestas dessa região foi perdido ou reapareceu.

A prática de "reflorestamento intensivo", também chamada de "florestas de produção", é usada em todo o mundo para fornecer bens valiosos e melhorar as economias regionais e nacionais. A análise do WRI sugere que, se os administradores de florestas de produção adotarem estratégias de serviços ambientais múltiplos, poderão gerar benefícios adicionais como biodiversidade, armazenamento de carbono e filtração de água.

8) Os incêndios florestais são um problema crônico nas plantações de óleo de palma na Sumatra

Os incêndios florestais são um problema crônico na Indonésia. Essa imagem do início de fevereiro mostra que muitos desse incêndios - que são detectados quase em tempo real pelos dados de incêndio do FIRMS da NASA - estão localizados em plantações de óleo de palma. No último verão, os incêndios na Sumatra geraram plumas de fumaça tóxica pelo sul da Ásia, causando danos significativos à economia regional e à saúde humana. A análise do WRI sobrepôs os hotspots do sistema de alerta de incêndio FIRMS da NASA aos dados concedidos pelo governo da Indonésia. A pesquisa revelou que quase 50% de todos os hotspots ocorreram em concessões de óleo de palma e polpa de madeira, indicando que alguns desses incêndios podem ter sido iniciados para abrir espaço em florestas e turfas para o desenvolvimento agrícola.

9) As taxas de desmatamento na região de Gran Chaco, na América do Sul, excederam as da Amazônia

Apesar de a maioria dos relatórios terem como foco o desmatamento da floresta tropical úmida da Amazônia, as matas secas e savanas da região do Gran Chaco - que se localiza em parte do Paraguai, Argentina e sul do Brasil – têm uma das maiores taxas de perda de cobertura de árvore do mundo. A zona do Paraguai demonstra a importância do papel da agricultura nessa tendência. As áreas retangulares de perda florestal mostram um padrão consistente com a expansão da agricultura para campos de soja e pastos para gado.

**Faça o seu próprio mapa florestal

Anteriormente, os dados necessários para fazer esses mapas eram difíceis de obter e interpretar. A maioria das pessoas não tinha a expertise, o software especial e os recursos necessários para acessar, ver e analisar os dados. O GFW permite um host de usuários com pronto acesso a essas informações. Por exemplo:

  • Os governos podem usar o GFW para aplicar melhor as leis florestais, monitorar as concessões e detectar o desmatamento ilegal de florestas.
  • As ONGs podem identificar hotspots em tempo quase real, mobilizar ações e coletar provas para responsabilizar governos e empresas por compromissos relacionados às florestas.
  • As comunidades indígenas podem carregar alertas e fotos quando ocorrerem invasões nas suas terras.
  • Os compradores de mercadorias como o óleo de palma, soja, madeira e carne podem monitorar a conformidade dos seus fornecedores com as leis, compromissos e normas de certificação relevantes;.
  • Os fornecedores dessas mercadorias podem demonstrar de maneira confiável que os seus produtos não são provenientes de desmatamento e são produzidos legalmente.
  • A mídia pode destacar rapidamente as tendências de desmatamento e juntar provas para noticiar.
  • Os cidadãos que quiserem saber mais a respeito podem obter informações sobre o estado das florestas e participar do monitoramento.

Interessados podem visitar o Global Forest Watch e construir seu próprio mapa florestal. Existem muitas histórias para serem contadas a respeito do que está acontecendo com as florestas ao redor do mundo - e essas histórias podem mobilizar a ação para proteger esses ecossistemas especiais e ameaçados.

Conheça o site do projeto GFW.

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