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As mudanças climáticas vão transformar as florestas como as conhecemos

Este blog foi publicado originalmente no blog do Global Forest Watch.


Todos os anos, à medida que as florestas são desmatadas ou queimadas, o mundo perde mais e mais de um importante removedor de carbono. As emissões causadas pelo desmatamento são um dos principais fatores associados às mudanças climáticas. A perda de cobertura vegetal nos trópicos é a terceira maior fonte de emissões depois do que emitem China e Estados Unidos.

Mas a relação entre as florestas e as mudanças climáticas é uma via de mão dupla. Conforme a temperatura sobe, ecossistemas florestais sofrem danos e passam por um processo de degradação que ameaça aumentar as emissões.

As florestas se adaptaram às últimas eras de mudanças no clima

Florestas são ecossistemas resilientes. Não é a primeira que vez que passam por mudanças no clima. As florestas que conhecemos hoje foram moldadas em parte pelo aquecimento depois da última era glacial.

Boa parte do mundo era coberta por enormes geleiras que só começaram a diminuir cerca de 12,5 mil anos atrás. À medida que as temperaturas aumentaram e as geleiras recuaram, as árvores começaram a avançar novamente em direção aos polos, formando as florestas boreais e temperadas do hemisfério norte.

As florestas tropicais são ainda mais antigas. Algumas delas aparecem nos registros fósseis de 140 milhões de anos atrás, durante a era dos dinossauros.

Ao longo do tempo, o aumento e o recuo do nível dos oceanos e oscilações na temperatura global contribuíram para diversificar as espécies que tornam as florestas tropicais tão únicas. Estudos de pólen fossilizado sugerem que a Floresta Amazônica resistiu ao clima mais frio e seco da última era do gelo e, potencialmente, de várias outras que a precederam, tornando-se um ecossistema incrivelmente resiliente.

O que é diferente na mudança do clima dessa vez?

Se as florestas resistiram a milhões de anos de oscilações no clima, por que o aumento das temperaturas hoje é motivo de preocupação? Primeiro, porque as mudanças climáticas estão acontecendo mais rápido dessa vez. A temperatura global já subiu 2ºC desde que o acompanhamento começou a ser feito nos anos 1880. Em geral, a Terra passa por ciclos climáticos na escala de centenas de milhares de anos.

Isso não quer dizer que mudanças rápidas no clima nunca aconteceram no planeta antes. O impacto do asteroide que matou os dinossauros causou um resfriamento global dramático em questão de décadas. Mas a mudança climática em escalas de tempo curtas quase sempre está associada a eventos de extinção em massa. Cerca de 75% das espécies então conhecidas foram dizimadas junto com os dinossauros. Mudanças no clima e na temperatura global em períodos curtos de tempo são uma ameaça grave à diversidade na Terra.

As florestas já estão sentindo os impactos de um planeta mais quente

Os ecossistemas florestais já começaram a sofrer os impactos do aquecimento acelerado do planeta. As temperaturas mais altas resultaram em condições mais secas e temporadas de cultivo mais longas e quentes – circunstâncias perfeitas para incêndios florestais maiores.

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Alguns estudos estimam que a área queimada nos Estados Unidos pode aumentar em 50% até 2050. No Canadá, a área total atingida por incêndios já dobrou desde os anos 1970. Embora as florestas temperadas e boreais de fato passem por incêndios como processo natural de seus ecossistemas, queimadas mais frequentes e intensas têm o potencial de causar danos graves.

Infestações de pragas também estão mais comuns. Os invernos mais amenos na América do Norte, sem geadas intensas o suficiente para matar as larvas, permitiram que proliferassem espécies parasitas como o besouro do pinheiro. Os besouros se reproduzem sob a casca das árvores vulneráveis, matando-as. As árvores mortas secam e se tornam potenciais ignitores para futuros incêndios florestais, os quais, por sua vez, liberam mais carbono e aceleram as mudanças climáticas, ativando um ciclo vicioso.

Em algumas áreas, como no Ártico ou na região do Sahel, na África, o aumento das temperaturas permitiu o avanço das árvores em áreas onde antes não havia florestas, mas o saldo do impacto geral das mudanças climáticas será negativo. Nos trópicos, condições mais secas significam menos chuvas, o que não é um bom presságio para as florestas tropicais. Conforme a vegetação seca, as queimadas podem se tornar mais comuns em um ecossistema onde os incêndios não são naturais. Alguns pesquisadores levantam a hipótese de que atingir um certo limiar de seca pode colocar a Amazônia em um estado ecológico sem retorno, no qual o ambiente não é mais capaz de manter a floresta. A maior floresta tropical do mundo pode se transformar em uma savana em menos de 50 anos.

Foi comprovado que o aumento da temperatura do solo também libera mais dióxido de carbono – e níveis mais altos de dióxido de carbono podem retardar o crescimento das plantas, comprometendo sua capacidade de continuar retirando carbono da atmosfera. Essa descoberta tem sérias implicações para os programas que tentam combater as mudanças climáticas por meio do plantio de árvores.

Embora proteger e restaurar florestas seja essencial para desacelerar as mudanças climáticas, é fundamental, para começar, reduzir as emissões de carbono para preservar as florestas. Os impactos das mudanças climáticas já são sentidos – desde os trópicos até a região boreal. Se o aquecimento continuar, as florestas que conhecemos podem estar muito diferentes em apenas algumas décadas.

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