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Nova ferramenta para agropecuária de baixo carbono no Brasil

Dois novos instrumentos buscam reduzir a intensidade das emissões brasileiras no setor agropecuário. Hoje, o GHG Protocol lança as Diretrizes e a Ferramenta de Cálculo de Emissões de GEE no setor Agropecuário, que irão auxiliar produtores na agricultura e na pecuária a mensurar as emissões de gases que provocam o efeito estufa. Ao tomar conhecimento do total das emissões em sua operação, aqueles que gerenciam as propriedades serão capazes de identificar as maiores fontes de emissão, desenvolver planos de redução e amenizar o impacto sobre o clima.

Para compreender a real importância dos novos recursos para as empresas agropecuárias e para o Brasil como um todo, é importante compreender o desenvolvimento do cenário agropecuário no país.

O impacto dos gases do efeito estufa sobre o setor agropecuário no Brasil

O Brasil está em quinto lugar entre os maiores emissores de GEE, principalmente devido aos impactos das emissões do setor agropecuário. Elas aumentaram 20% entre 2005 e 2010 e agora representam mais de um terço do total nacional. Sem interferência, esse índice pode sofrer um aumento de outros 18% até 2030.

As fazendas do país também ampliam outra fonte de emissões—a mudança de uso da terra. O Brasil perdeu 36 milhões de hectares de florestas nos últimos 12 anos—a maior parte em função do desmatamento para abrir pastos e outras atividades agrícolas. Apesar do desmatamento ter caído nos últimos anos, ainda era responsável por 22% das emissões em 2010.


A perda de vegetação nativa (em rosa) é bem maior do que o ganho florestal (em roxo) nos últimos 12 anos. Fonte: Global Forest Watch


Reduzindo a pegada de carbono na agropecuária

O impacto das emissões de gases de efeito estufa levaram o governo brasileiro a criar o Plano Nacional de Agricultura de Baixo Carbono, que ficou conhecido como Plano ABC. Em vigor desde 2010, o ABC oferece incentivos para a agropecuária sustentável, como linhas de crédito para produtores que adotem práticas. E tem também como objetivos eliminar o desmatamento ilegal e encorajar a pesquisa de espécies mais resistentes, entre outras iniciativas.

O problema é que o governo não tinha um mecanismo para medir a redução das emissões individualmente nas fazendas. Ao contrário de outros setores, como o de energia ou da indústria, as emissões agropecuárias demandam um esforço mais complexo para serem medidas adequadamente, uma vez que sofrem influência de condições ambientais como o a umidade do solo e a temperatura. Em outros casos, atividades agrícolas como a redução de área plantada e o plantio de árvores podem não reduzir imediatamente as emissões.

A falta de compreensão também dificulta o gerenciamento de gases de efeito estufa por parte dos grandes produtores e do agribusiness. Por exemplo, apenas um quarto das empresas agropecuárias que responderam ao questionário do CDP (ONG que publica informações sobre gestão empresarial de emissões) faziam inventários de suas emissões de gases que provocam o efeito estufa.

Novos instrumentos para medir e gerenciar emissões na agricultura

É aí que entram os novos instrumentos. Desenvolvidas em parceria com a Embrapa e a Unicamp, com contribuições de mais de 100 especialistas de empresas, academia, ONGs e órgãos do governo, as Diretrizes e a Ferramenta de Cálculo permitirão às empresas brasileiras do setor agropecuário a possibilidade de calcular suas emissões com mais precisão. Com elas, agentes do governo poderão também calcular o impacto dessas emissões sobre as políticas nacionais, incluindo o Plano ABC. As Diretrizes oferecem uma plataforma de cálculo para todas as empresas com operações no setor, sejam elas de produção de animais ou de produção agrícola, destinadas à alimentação, fibras, biodiesel, medicinais ou para outros fins. A ferramenta de cálculo foi criada para abarcar práticas específicas e setores de emissões como soja, milho, algodão, trigo, arroz, cana e gado. Ambas incluem metodologias para mensurar e reportar emissões de mudanças no uso da terra.

Com uma mensuração melhor em mãos, as empresas poderão:

  • entender riscos operacionais e de reputação associados às suas emissões;

  • identificar oportunidades de redução de emissões, implantar metas de redução e monitorar a performance;

  • melhorar a reputação e a responsabilidade por meio da divulgação pública de suas emissões de GEE;

  • colher os frutos dos benefícios associados à redução de emissões, como conservação de energia, ampliação de produtividade e melhora na qualidade do solo e da água.

Com as ferramentas certas, fazendeiros agrícolas e pecuaristas brasileiros podem começar a diminuir a pegada de carbono para o bem do planeta e também dos seus lucros.

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