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O que é necessário para a restauração bem-sucedida das florestas?

Essa postagem foi escrita em conjunto com Stewart Maginnis, chefe do Programa de Conservação Florestal da IUCN.

Nesta semana em Washington D.C., os membros da Parceria Global de Restauração Florestal (GPFLR) se encontraram para elaborar estratégias para restaurar florestas degradadas ao redor do mundo. Essa restauração tem o potencial de trazer de volta a vida milhões de hectares de terra - um movimento que poderia ajudar a proteger bacias hidrográficas, garantir a segurança dos alimentos, melhorar o padrão de vida de comunidades rurais, lidar com a mudança climática e conservar a biodiversidade.

Panoramas de oportunidade

Em 2011, o WRI, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e parceiros de pesquisa publicaram Landscapes of Opportunity, a primeira avaliação global sobre onde a restauração florestal é possível. Esse mapa ajudou a construir o movimento em direção ao Desafio de Bonn, um compromisso global de começar a restaurar 150 milhões de hectares - uma área três vezes maior que o tamanho da Espanha - de florestas perdidas e degradadas até 2020.

Desde então, diversas nações - dos EUA até a Ruanda - fizeram promessas de restauração pelo Desafio de Bonn, e outras promessas estão a caminho. O que algumas nações estão se perguntando agora não é "o que" é restauração ou "onde" ela é possível, mas "como" ela pode ser feita.

Para ajudar a responder essa pergunta, o WRI e a IUCN avaliaram mais de 20 exemplos ao redor do mundo de restauração florestal durante os últimos 150 anos, incluindo o que fui bem e mal sucedido. Os exemplos vieram de países como o Brasil, China, Costa Rica, Etiópia, Índia, Nepal, Nigéria, Panamá, Porto Rico, Coréia do Sul, Suécia, Tanzânia e os EUA. As lições desses países podem não apenas fornecer ideias sobre o que funciona, como também inspirar os outros.

Restauração Florestal em Ação A história nos mostra que a restauração florestal em grande escala é possível.

A Costa Rica testemunhou o declínio da sua cobertura florestal de 85% do total de área no começo do século 20 para abaixo de 30% em 1987. Devido a uma série de iniciativas de restauração - como enfoques de financiamento inovadores, reformas políticas e assistência técnica a proprietários de terras - a cobertura florestal da nação aumentou de volta para cerca de 50% em 2010. Essa restauração significativa rendeu uma série de benefícios - como mais produtos provenientes da floresta, ecoturismo e redução da erosão do solo - para o meio ambiente do país, para a economia e para os cidadãos.

A Coréia do Sul restaurou as suas florestas em uma grande escala depois da Guerra de Coréia. Entre 1953 e 2007, a cobertura florestal aumentou de 35% para 64% da área total do país, enquanto a sua população dobrou e a economia cresceu 300 vezes mais, prova de é que possível conciliar restauração florestal e crescimento econômico.

A Costa Rica e a Coréia do Sul não estão sozinhas. No leste dos Estados Unidos, cerca de 13 milhões de hectares de florestas foram recuperados entre 1910 e 1960. A cobertura florestal do Porto Rico aumentou de 6% da ilha perto de 1940 para cerca de 40% em 2000. E os fazendeiros do sul da Nigéria conseguiram restaurar de forma milagrosa 5 milhões de hectares de áreas de agro-silvicultura, melhorando o seu modo de vida e ajudando a reverter a desertificação. Esses e outros países demonstraram que a restauração florestal pode não apenas ser feita, como também produzir benefícios significativos para as pessoas e o planeta.

Lições do passado

Como os países podem realizar com eficiência a restauração florestal? Três lições podem ser tiradas da nossa avaliação.

Primeiro, os países com programas de restauração bem-sucedidos foram motivados por uma ampla gama de benefícios, incluindo a melhoria da qualidade da água, retenção do solo, maior fornecimento de madeira e criação de empregos. Recentemente, o foco foi expandido para a recreação, conservação da vida silvestre e biodiversidade e benefícios de mitigação da mudança climática. Segundo, os benefícios desejados podem mudar com o tempo. A restauração florestal no sul dos Estados Unidos, por exemplo, ocorreu devido à vontade de proteger as bacias hidrográficas, reduzir a erosão do solo e restaurar o fornecimento de madeira nos anos 20. Mais tarde, durante a Grande Depressão de 1930, tornou-se uma maneira de criar trabalho. Nos anos 60, a recreação surgiu como uma prioridade. Nas próximas décadas, a conservação da vida silvestre e a mitigação das alterações climáticas se tornaram as principais aspirações.

E por último, nós identificamos três fatores comuns em restaurações bem sucedidas (Tabela 1):

  1. Uma motivação clara. Os líderes, proprietários de terras e/ou cidadãos ficaram inspirados ou motivados a restaurar florestas e árvores.

  2. Habilitar as condições no local. Incluem condições ecológicas, de mercado, políticas, sociais e institucionais.

  3. Capacidade de implementação e recursos. A capacidade e os recursos existiam e estavam mobilizados para implementar a restauração em uma base contínua.

Diferentes fatores foram importantes em diferentes estudos de caso, sugerindo que o contexto é importante. Nenhum fator parece ser suficiente para gerar uma restauração de sucesso; em geral é necessário uma combinação. E os fatores de sucesso estão inter-relacionados. Por exemplo, o monitoramento de desempenho pode auxiliar as pessoas a ajustarem suas estratégias de implementação, bem como motivar outras restaurações divulgando os sucessos e os benefícios.

Finalmente, quanto mais fatores de sucesso, maior é a chance de ocorrer uma restauração bem sucedida.

Ferramentas emergentes para apoiar Iniciativas futuras de restauração

Com base nesta avaliação, o WRI e a IUCN publicarão um "Diagnóstico de Restauração Rápido" que auxilia a identificar quais fatores de sucesso já existem e quais estão faltando nos locais que estão sendo considerados para restauração. Ela foi desenvolvida para auxiliar os líderes a identificar fatores que devem ser endereçados antes de investir grandes quantias de capital humano, financeiro ou político na restauração. A ferramenta de diagnóstico será complementada por um guia IUCN e WRI para auxiliar os líderes e as comunidades a planejar e implementar a restauração florestal. O lançamento de ambos está programado para 2014.

No passado, as florestas foram sacrificadas com muita frequência em nome do desenvolvimento econômico. No futuro, nós prevemos a restauração florestal como parte integral do desenvolvimento econômico, fornecendo trabalho para as comunidades rurais e gerando uma grande variedade de bens renováveis e serviços. A história nos mostra que a restauração florestal em grande escala é já foi feita antes. Nós acreditamos que ela pode ser feita de novo. Que a geração da restauração comece!

• SAIBA MAIS: Veja a iniciativa de Restauração Florestal da WRI.

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