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O Desenho de Cidades Seguras

Diretrizes e exemplos para promover a segurança viária a partir do desenho urbano

A publicação O Desenho de Cidades Seguras é um guia global de referência para ajudar as cidades a melhorar o desenho urbano com o intuito de ampliar espaços para o pedestre; reduzir a velocidade dos veículos, que ameaça todos os usuários das vias; promover espaços públicos de alta qualidade para pedestres e ciclistas; e facilitar e aumentar a qualidade do acesso ao transporte coletivo. Mais de 1,2 milhão de pessoas morre anualmente - na maioria, pedestres - em acidentes de trânsito. Esse número cresce ano após ano. O guia produzido com a colaboração de especialistas do WRI Brasil mostra exemplos em todo o mundo e 34 elementos diferentes de cidades que podem ajudar a aumentar a segurança e a qualidade de vida.

O relatório foi realizado com o apoio financeiro da Bloomberg Philanthropies.

Key Findings

Executive Summary

Muitas cidades do mundo podem se tornar locais mais seguros e saudáveis ao mudarem o desenho de suas vias e comunidades. Cidades onde as vias foram projetadas para servir principal ou exclusivamente para o trânsito de veículos motorizados poderiam melhorar a segurança de todos os usuários se fossem projetadas para servir, de fato, a pedestres, ciclistas, usuários do transporte coletivo, etc.

Porém, não é isso o que acontece atualmente em muitas cidades. As mortes no trânsito chegam a 1,24 milhão de pessoas anualmente e mais de 90% delas ocorrem em países de média e baixa renda (WHO, 2013). Atualmente, essa é a oitava causa de morte no mundo e estima-se que será a quinta em 2030, segundo as tendências atuais. A maioria dos óbitos é de usuários vulneráveis – pedestres e ciclistas de países em desenvolvimento que são frequentemente atingidos por veículos motorizados (WHO, 2009).

As mortes no trânsito causam grandes prejuízos econômicos: chegam a 3% do produto interno bruto (PIB) na Índia e na Indonésia, 1,7% no México, 1,2% no Brasil e 1,1% na Turquia (WHO, 2013). Quase a metade dessas fatalidades ocorre nas cidades; uma proporção maior de feridos graves no trânsito ocorre em áreas urbanas e envolvem usuários vulneráveis (Dimitriou e Gakenheimer, 2012; European Commission, 2013).

Esse problema global de saúde está sendo impulsionado por importantes processos que passam, muitas vezes, despercebidos. Em todo o mundo – e especialmente em países como o Brasil, a Índia, o México, a Turquia, a China e outras economias emergentes –, as pessoas estão comprando automóveis ou motocicletas a um ritmo arrebatador. O número de automóveis em circulação no mundo já ultrapassou 1 bilhão e deve chegar a 2,5 bilhões em 2050 (Sousanis, 2014). O percentual da população que reside em cidades pode passar de 50%, em 2007, para 70%, em 2030 (UNICEF, 2012). A ocupação do solo por áreas urbanas deve dobrar em 2020 em relação a 2000 (Angel, 2012). Com o aumento populacional e com o crescimento econômico, há uma enorme demanda por novas habitações e pela expansão urbana, o que gera a necessidade de uma rede viária, bem como de espaços públicos para a sua interligação.

Uma resposta típica a essas dificuldades é a construção de vias e a projeção de bairros para automóveis. No entanto, essas são soluções de curto prazo para facilitar o trânsito ou melhorar a segurança apenas dos motoristas. Com o passar do tempo, irão estimular um crescimento ainda maior do uso de automóveis e uma necessidade de cada vez mais vias, com consequente aumento das mortes no trânsito (Leather et al., 2011).

Contudo, há outro caminho. As cidades podem projetar vias e todo tipo de construção para serem mais seguros, não apenas nos novos bairros, mas também transformando os já existentes. Considerar uma ampla rede viária e a hierarquia dos seus usuários pode revelar oportunidades tanto nos corredores críticos de transporte coletivo quanto nas vias do entorno. Essa abordagem é chamada de “sistema seguro”, em prol da segurança viária. Ela estabelece metas e trabalha para mudar o ambiente viário a fim de reduzir feridos e mortos no trânsito (Bliss e Breen, 2009).

Através da iniciativa EMBARQ, o WRI Brasil criou este guia para mostrar exemplos reais e técnicas baseadas em evidências para melhorar a segurança através do projeto de bairros e vias, com enfoque nos pedestres,
ciclistas e transporte coletivo, e para reduzir a velocidade e o uso desnecessário de veículos. O capítulo 2 deste guia apresenta uma visão geral das condições atuais de segurança viária nas cidades, os diferentes grupos de pessoas afetados pela segurança e o que significa “Projetar Cidades mais Seguras” através de projetos urbanos e viários que aumentam a proteção para todos os usuários das vias.

O restante do guia – capítulos 3 a 8 – fornece descrições das diferentes medidas e elementos que são os princípios-chave de projetos para promover a segurança viária. Esses princípios são compostos pelos temas a seguir e podem ser encontrados em
exemplos positivos em cidades ao redor do mundo.

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