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CityBus 2.0: o sistema de transporte coletivo por aplicativo de Goiânia

Você já imaginou como seria utilizar o ônibus de forma semelhante ao que se faz com os carros dos serviços de transporte sob demanda? Na cidade de Goiânia, a população já conta com algo muito próximo disso. Estamos falando do CityBus 2.0, sistema inaugurado em fevereiro deste ano, que oferece um serviço de ônibus acionado via aplicativo.

Funciona assim: o usuário solicita o veículo a partir do aplicativo e dirige-se a um dos pontos virtuais do sistema. O aplicativo segue a mesma lógica dos demais apps de transporte sob demanda, possibilitando a identificação do motorista, acompanhamento do veículo, previsão de chegada e avaliação da viagem. Atualmente, o serviço opera com 15 veículos de 15 lugares cada um – atingindo a capacidade de tirar 650 carros das ruas. O próprio aplicativo gerencia a distribuição da frota para otimizar o tempo.

“Tempo, conforto e segurança não são as dores apenas do transporte coletivo, são as dores da mobilidade”, afirma Hugo Santana, da HP Transportes Coletivos, concessionária responsável pela operação do CityBus. Foi a partir dessa constatação que começou a ser traçada a solução de transporte que os moradores de Goiânia agora podem usufruir.

A ocupação média dos veículos do sistema está em 25%, com crescimento semanal médio de 15%. Conforme os desenvolvedores, a demanda esperada, para a qual o serviço foi inicialmente projetado, é de 40% de ocupação, mesmo nos horários de pico. Desde que começou a operar, o CityBus já somou 32 mil usuários cadastrados. A tarifa do sistema varia conforme a distância – parte-se de um valor mínimo de R$ 2,50, que sofre um acréscimo a cada quilômetro percorrido. O usuário pode pagar com cartão ou dinheiro, e os veículos não possuem catraca. Por enquanto, o sistema opera em uma área delimitada, percorrendo 11 bairros do Centro Expandido de Goiânia.

O novo serviço foi bem recebido pela cidade. Além das avaliações positivas por parte dos usuários, a Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) de Goiânia percebeu como um dos benefícios do novo serviço a possibilidade de atender uma parte da população que o transporte convencional já não alcançava: “Percebemos que esse novo modelo de transporte coletivo poderia alcançar um novo público, potenciais usuários de transporte coletivo que até então não tinham suas necessidades atendidas pelas linhas convencionais”, comenta Benjamin Kennedy Machado da Costa, presidente da CMTC.

O contexto para o surgimento do CityBus 2.0

Os ônibus estão perdendo passageiros, uma crise que pode ser atribuída a uma soma de fatores, desde os congestionamentos até a falta de priorização e de infraestrutura de qualidade. Ainda assim, do ponto de vista da sustentabilidade, tanto financeira quanto ambiental, os ônibus são o melhor meio de transporte com que uma cidade pode contar: transportam mais pessoas ocupando menos espaço e poluindo menos.

No caso de Goiânia, conforme aponta Bejamin, outros fatores também contribuem para a queda de passageiros: “Desde 2013 a demanda vem caindo. Entendemos que é o resultado da somatória de vários fatores: aumento da frota de veículos, perda da competitividade do transporte coletivo em deslocamentos mais curtos, alto índice de desempregados na Região Metropolitana de Goiânia, surgimento dos aplicativos de transporte por demanda, entre outros”.

Como trazer uma parte desses usuários de volta, oferecendo um serviço de transporte coletivo e sustentável, foi o desafio que a equipe do CityBus 2.0 se propôs a solucionar. “A essência do serviço é o seu caráter coletivo. Era o que tínhamos em mente na hora de estruturar o sistema: como partir de interesses e necessidades individuais e convertê-las em um bem coletivo?”, avalia Hugo.

O caminho passou por identificar necessidades não atendidas pelo serviço de transporte coletivo convencional e criar uma solução complementar. Na avaliação de Hugo, a resposta para os desafios da mobilidade envolve uma rede integrada e diversificada, que combine diferentes modos, mas cuja essência está na sustentabilidade e no coletivo: “Não há cidade sustentável sem transporte coletivo sustentável”.


Este post faz parte de uma série de conteúdos produzidos a partir dos debates possibilitados pelo Grupo de Benchmarking QualiÔnibus. O Programa QualiÔnibus é desenvolvido pelo WRI Brasil com o apoio financeiro e conceitual da FedEx Corporation e tem o objetivo de qualificar o transporte coletivo por ônibus nas cidades brasileiras. Leia mais conteúdos sobre o programa aqui.

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