O Brasil tem em seu território um bioma único no mundo: A Caatinga. Ecossistema dominado por árvores de folhas pequenas, com espinhos e troncos retorcidos, esse bioma possui grande riqueza de espécies endêmicas que evoluíram para sobreviver em um ambiente de pouca água. Na paisagem social, a Caatinga também se destaca, sendo a região semiárida mais densamente povoada do mundo.   

Esse contexto faz da Caatinga um bioma prioritário para o desenvolvimento de políticas e ações que protejam a vegetação nativa, restaurem áreas degradadas e permitam uma produção econômica sustentável.  

É a busca por um desenvolvimento sustentável local, baseado no estabelecimento de compromissos construídos com diferentes atores sociais, que orienta o programa Raízes da Caatinga, conduzido pela IDH, em parceria com o WRI Brasil e a Diaconia.  

O programa traz para a Caatinga uma metodologia focada em três eixos: Produzir, Proteger e Incluir (PPI). O objetivo é permitir que todos os envolvidos com a cadeia produtiva em regiões rurais – gestores públicos, associações locais, empresas, bancos, produtores rurais, sindicatos, cooperativas e outros – possam estabelecer acordos e agendas prioritárias em prol do desenvolvimento sustentável de seus municípios, estimulando o fortalecimento do sistema produtivo local e dos atores que dele participam.    

O programa está presente em três regiões da Caatinga, em estados diferentes, abrangendo as regiões do Pajeú, em Pernambuco, do Cariri Ocidental, na Paraíba, e do Sertão do Apodi, no Rio Grande do Norte. Os atores locais dos municípios de Apodi (RN), Monteiro (PB) e Afogados da Ingazeira (PE), além dos municípios vizinhos, participam de um processo de articulação e formação de uma coalizão de atores locais, com estabelecimento de metas para proteção, produção e inclusão na Caatinga.   

O programa é liderado pelo IDH. O WRI Brasil atua como parceiro no programa e lidera as atividades do eixo “Proteger”, ao facilitar a identificação de fatores-chave para o sucesso da restauração e conservação nos territórios e mapear a paisagem social a partir dos diferentes fluxos que são necessários para implementar efetivamente a agenda da restauração. Atua também na condução das oficinas nos territórios para criação e priorização de metas que abordam a produção rural sob a ótica da restauração em cada região.   

Tais atividades se fundamentam em sua experiência com a ROAM, metodologia que permite identificar oportunidades, analisar dados e estimular a implementação da restauração de paisagens em diferentes biomas pelo país, de maneira integrada ao sistema produtivo pré-existente.   

O WRI Brasil também será responsável pela implementação de um plano piloto em uma área, que será definida ao longo da execução do programa.