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Três maneiras pelas quais as empresas de São Paulo poderiam ajudar a reduzir congestionamentos

Um século de desenvolvimento urbano voltado para carros tornou nossas cidades poluídas, congestionadas e com a necessidade de soluções sustentáveis. As estratégias de Gestão de Demanda de Viagens (GDV) podem gerar soluções ao combinar políticas públicas às inovações do setor privado, revertendo o excesso de dependência de carros privados. A série Movendo-se Além dos Carros (Moving Beyond Cars) — de exclusividade do TheCityFix e do WRI Insights — oferece um tour global de soluções GDV no Brasil, China, Índia e México, fornecendo lições sobre como as cidades podem reduzir a cultura do carro, tornando o transporte sustentável uma realidade.


Este post foi feito em coautoria com Peter Valk, especialista em gerenciamento de demanda de viagens.

A população de São Paulo está crescendo - bem como os congestionamentos de trânsito. Os habitantes da maior cidade da América do Sul fazem mais de 43 milhões de viagens diariamente, das quais quase 30 milhões são feitas em veículos, principalmente carros privados. A média de tempo de deslocamento por carro é de cerca de 1,5 horas, e a produtividade perdida devido aos congestionamentos é equivalente a 7,8% do PIB da área metropolitana.

À medida que a cidade continua a crescer, os líderes sabem que a população precisará de uma maneira melhor e mais sustentável para se deslocar. Reduzir o número de carros nas ruas através da gestão de demanda de viagens (GDV) é uma solução promissora.

Um primeiro contato com a gestão de demanda de trânsito em São Paulo

O WRI, EMBARQ Brasil, e o Banco Mundial lançaram um projeto piloto de GDV em 2012 em uma das áreas mais congestionadas da cidade, às margens do Rio Pinheiros.

Pioneiro no Brasil, esse projeto piloto trabalhou com 20 empresas que mobilizam no total mais de mil funcionários por dia. No início do projeto, mais de metade desses funcionários dirigia sozinho para o trabalho, enquanto menos de 20% utilizava transporte público. No final dessa iniciativa, o número de funcionários que dirigia para o trabalho caiu em 17%, e o número de usuários de transporte público aumentou em 10%.

Os negócios envolvidos no projeto focaram em três grandes mudanças - criar benefícios para eles, para os seus funcionários e para a cidade em geral.

1) Quantificar o impacto

Historicamente, a maioria dos empregadores no Brasil não se vê no papel de cuidar do transporte dos funcionários, além de fornecer e/ou pagar estacionamento. Na opinião deles, a responsabilidade de melhorar a mobilidade geral recai apenas sobre o setor público.

Os pesquisadores ajudaram as empresas que participaram do projeto piloto a coletar dados sobre o impacto financeiro do trânsito nos seus negócios. Ao compreender os impactos econômicos do congestionamento, eles se dispuseram a encontrar soluções que apoiassem o deslocamento por bicicleta ou a pé, como instalar chuveiros e armários nos banheiros. As empresas notaram um aumento significativo no deslocamento de bicicleta entre os funcionários, que também declararam terem uma melhora na saúde e na sensação de bem-estar.

2) Usar incentivos para superar as barreiras culturais.

Para muitos brasileiros, ter um carro demonstra status social. Os empregadores podem ter um papel importante na reversão dessa barreira cultural, oferecendo educação e incentivos.

Alguns empregadores do programa piloto lançaram campanhas educativas por toda a empresa para promover meios de transporte mais sustentáveis. As empresas forneceram rotas de transporte personalizadas e kits de mobilidade que mapeavam as paradas e as conexões locais de trânsito. Outros empregadores desestimularam o uso de veículos privados fornecendo incentivos financeiros para o uso de transporte público ou oferecendo vagas de estacionamento melhor localizadas ou mais baratas para quem estivesse compartilhando o carro.

3) Envolver os líderes principais

Por fim, o projeto piloto mostrou que o envolvimento contínuo foi maior nas empresas que envolveram a liderança desde o início da elaboração do projeto e que compreenderam o impacto das questões de mobilidade no desempenho da empresa. Nas empresas que não envolveram os líderes principais, as medidas de GDV foram abandonadas com o passar do tempo. Os líderes devem demonstrar o seu comprometimento para garantir mudanças comportamentais e culturais a longo prazo, valendo-se de planos de mobilidade corporativa e optando por meios alternativos de locomoção para o trabalho.

Próximos Passos para a GDV no Brasil: Ampliação e Expansão Apesar de a GDV ser uma estratégia eficiente para tornar a mobilidade corporativa mais sustentável, a sua implementação não ocorre de forma espontânea nas empresas brasileiras. É necessário uma mudança completa não apenas na cultura e nas prioridades corporativas, mas também nas políticas públicas. E isso leva tempo. O WRI Brasil e a EMBARQ Brasil estão expandindo o programa piloto para as diversas partes interessadas na Plataforma Conexões Rio Pinheiros, que une 20 empresas-membro e organizações governamentais com outros participantes-chave na área do Rio Pinheiros, com o objetivo de testar, dirigir e medir as soluções de mobilidade.

Esse enfoque será fundamental para tornar São Paulo mais sustentável, sendo a mobilidade urbana uma prioridade no Plano Diretor de agosto de 2014. O plano enfatiza especificamente a diminuição da cultura do carro e reconhece a ligação fundamental entre mobilidade urbana e qualidade de vida. Sendo o Plano Diretor da cidade um marco para o desenvolvimento urbano no Brasil, podemos esperar que as soluções que funcionem bem em São Paulo sejam reproduzidas em outras cidades da América Latina.

Se a capital do congestionamento da América do Sul pode fazer isso, por que não outras cidades ao redor do mundo?

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