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Semana do Clima é momento para fortalecer ação climática na América Latina e Caribe

Este artigo foi escrito por Andrés Flores, Beth Elliott e Chantal Davis, e publicado originalmente no Insights.


As emissões de carbono estão em uma alta recorde, e mês passado foi o mais quente de que se tem registro. Diante deste cenário, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu aos países que levem a sério a crise climática. "Belos discursos não são o suficiente", enfatizou em uma recente coletiva de imprensa. O momento pede aos governos, empresas e sociedade civil “ação ousada e muito mais ambição”.

Na Semana do Clima da América Latina e do Caribe (LACCW) da ONU, que acontece esta semana em Salvador (BA), os participantes têm a oportunidade de responder a este chamado urgente. O evento reúne formuladores de políticas e demais partes interessadas de toda a região para promover a ação climática antes da Cúpula da Ação Climática da ONU, que será realizada em Nova York em 23 de setembro. Uma das maneiras pelas quais os países da América Latina e do Caribe podem mostrar seu comprometimento é aumentando seus compromissos nacionais no âmbito do Acordo de Paris e comprometendo-se a zerar suas emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2050.

A mudança climática representa um enorme desafio – e oportunidade – para a América Latina e o Caribe

Em partes da América Latina e do Caribe são esperados aumentos de temperatura entre 2°C e 3°C em 2050 e entre 2,5°C e 4,5°C no final do século. A consequente deterioração dos ecossistemas, os eventos climáticos extremos e a perda de biodiversidade terão implicações importantes para as economias e o bem-estar social. Dois anos atrás, a região teve uma amostra dos impactos climáticos, quando, no espaço de um mês, os furacões Irma e María atingiram várias ilhas do Caribe, deixando em seu rastro milhares de mortes e prejuízos de bilhões de dólares. Algumas comunidades ainda não se recuperaram.

No entanto, promover uma política climática efetiva não é apenas prevenir catástrofes. Agir agora pode gerar consideráveis ​​benefícios econômicos e sociais. Pesquisa da Comissão Global sobre Economia e Clima descobriu que o mundo poderia ganhar US$ 26 trilhões líquidos em benefícios econômicos até 2030 caso adotasse uma ação climática ousada. Uma análise recente do WRI descobriu que o México poderia economizar perto de 26 mil vidas e reduzir gastos públicos em US$ 5 bilhões, caso reduzisse agressivamente a poluição do ar e as emissões de gases do efeito estufa. O relatório identificou 21 medidas que poderiam viabilizar de forma efetiva o compromisso do México de reduzir suas emissões 22% abaixo do usual até 2030. Em resumo, uma ação climática mais forte pagaria a si mesma – para não mencionar a melhora substancial da qualidade de vida dos cidadãos, reduzindo a poluição do ar, melhorando a saúde, entre outros benefícios.

Estratégias climáticas e de desenvolvimento a longo prazo apontam o caminho a seguir

Alguns países da América Latina e do Caribe têm despertado para a necessidade de uma ação climática forte. Sob a presidência de Carlos Alvarado Quesada, a Costa Rica adotou um plano para alcançar uma economia neutra em emissões até 2050 e comprometeu-se a fortalecer o compromisso climático (conhecido como contribuição nacionalmente determinada, ou NDC) até 2020. Já está demonstrando a viabilidade da energia renovável, limpando 99% de sua matriz elétrica até o fim de 2019. O Chile anunciou sua intenção de tornar-se neutro em carbono até 2050, abandonar a geração a carvão até 2040 e atualizar seu NDC.

Os planos do Chile e da Costa Rica estão de acordo com a recente carta do Secretário-Geral da ONU aos chefes de Estado instando-os a anunciar planos de neutralidade de carbono até 2050 e apresentar novos compromissos no âmbito do Acordo de Paris no próximo ano, mas a maioria dos países da região não seguiu o exemplo. Até agora, o México é o único país da América Latina e do Caribe que encaminhou oficialmente à ONU uma estratégia de longo prazo para o “desenvolvimento com baixa emissão”, detalhando suas metas de redução de emissões até 2050. Os mais recentes relatórios do clima mostram que o mundo precisará reduzir as emissões de dióxido de carbono em 45% até 2030 e a zero em 2050; a estratégia de longo prazo do México propõe apenas uma redução de 50% das emissões entre 2000 e 2050.

Costa Rica, Colômbia, Equador, Peru, Brasil, Chile e Argentina anunciaram que estão trabalhando em estratégias de redução de emissões a longo prazo, mas ainda precisam enviá-las formalmente à ONU. Essas estratégias precisarão estabelecer “metas zero” para se alinhar ao que a ciência climática diz ser necessário para evitar os impactos climáticos mais perigosos.

<p>Mapa com países da região que já elaboraram estratégias de longo prazo para o clima</p>

Impulsionando a ação climática na América Latina e no Caribe

América Latina e Caribe são extremamente importantes na batalha global contra a mudança climática, especialmente porque a região abriga a maior floresta tropical do mundo, um sumidouro de carbono importantíssimo. Ao mesmo tempo, muitos países da região são especialmente vulneráveis ​​às ameaças que as mudanças climáticas representam – desde a elevação do nível do mar até enchentes e tempestades cada vez mais violentas.

Agora é a hora de as nações estabelecerem uma visão abrangente para um futuro sustentável para todos. Caso contrário, corremos o risco de perder uma oportunidade histórica para a América Latina e o Caribe.

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