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Brasil é o sétimo maior emissor de CO2 do mundo. As emissões caíram ou aumentaram?

O Brasil emitiu um total de 1,9 gigatonelada de carbono equivalente (GtCO2eq) em 2018, de acordo com os números do Seeg, o Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa, divulgados na última semana. Trata-se de praticamente o mesmo valor de 2017, sugerindo que a trajetória de emissões do país está estagnada – não cresce nem diminui.

Essa quantidade faz com que o Brasil represente 3,4% das emissões mundiais, e coloca o país como o sétimo maior emissor do mundo, atrás de China, EUA, União Europeia, Índia, Indonésia e Rússia. Se os países europeus forem considerados de forma separada, não no bloco da UE, Brasil passa a ser o sexto maior emissor.

O Seeg é hoje a mais importante base de dados de emissões produzida pela sociedade civil. As estimativas são produzidas pelo Observatório do Clima. Os números ajudam a acompanhar a situação das emissões brasileiras com mais agilidade do que os sistemas oficiais do país.

Nesta sétima atualização do Seeg, compreendendo dados de 1970 a 2018, é possível distinguir que a curva de emissões brasileiras mudou de trajetória algumas vezes nas últimas décadas.

No período de 1990 a 2004, houve um crescimento intenso das emissões. Foram os anos de aumento expressivo no desmatamento da Amazônia, mas também os outros setores cresceram. Entre 2004 e 2010, uma mudança de trajetória em que o combate ao desmatamento surte efeito, e as emissões caem. De 2010 até hoje, temos o cenário atual: emissões estagnadas mais ou menos no mesmo patamar.

Mas mesmo esse cenário de estagnação conta histórias diferentes. Em alguns setores, as emissões caíram. Em um setor particular, houve forte aumento.

Boa notícia no setor de Transportes, não tão boa na questão do desmatamento

A boa notícia é uma queda consistente das emissões de energia nos últimos quatro anos. Segundo os dados do Seeg, em 2018 houve uma redução de 5% no setor comparado com o ano anterior.

Parte dessa redução foi puxada pelos Transportes (que na metodologia do IPCC se contabiliza dentro do setor de energia, por conta do uso de combustíveis). Houve aumento expressivo do uso do etanol no transporte coletivo de passageiros, substituindo combustíveis fósseis. Além disso, a política brasileira de uso de biodiesel gerou resultados, com o aumento da porcentagem obrigatória de biodiesel na mistura do diesel comercializado anualmente.

Na parte de geração de energia elétrica, o aumento das renováveis, em especial a eólica, também contribuiu. E o clima ajudou. Em 2018 choveu mais, abastecendo os reservatórios das hidrelétricas e diminuindo a necessidade de se usar energia de termelétricas, que são as fontes mais poluentes nesse setor no Brasil.

Já o setor em que houve aumento nas emissões foi o do uso da terra, que é o que abarca o desmatamento das florestas. Esse aumento foi puxado pelo desmatamento na Amazônia, que aumentou 8,5% em 2018 comparado com 2017. O dado só não foi pior porque 2018 registrou uma redução no desmatamento do Cerrado, segurando a alta. Ao todo, as emissões de mudanças do uso do solo aumentaram 3,5%.

Rua em Salvador, Bahia. Setor de transportes reduziu as emissões de CO2 em 2018. (Foto: Rafael Martins/WRI Brasil)

Cidades e Florestas podem ser a base para uma economia de baixo carbono

O fato de as emissões brasileiras não terem aumentado é uma boa notícia, mas ainda insuficiente para o nível de ambição que se espera do Brasil no combate as mudanças climáticas. O Brasil tem muito a ganhar com a redução de emissões. Segundo um relatório da Global Commission on the Economy and Climate, ação climática ambiciosa pode gerar US$ 26 trilhões em benefícios econômicos até 2030. Adotando ações para reduzir emissões, gerar energia limpa e restaurar as florestas, o Brasil poderá se beneficiar dessa nova economia, além de gerar novos empregos verdes, proporcionar a redução na emissão de poluentes e consequentemente evitar mortes prematuras por poluição do ar.

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