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50 anos do Dia da Terra: cinco maneiras de honrar o legado e mudar o mundo

Um tempo de crise não é apenas um tempo de ansiedade e preocupação. Ele dá uma chance, uma oportunidade, de escolher bem ou de escolher mal. – Desmond Tutu


Cinquenta anos atrás, 20 milhões de americanos (10% da população dos EUA na época) saíram às ruas no primeiro Dia da Terra para exigir um futuro melhor. Indignados com o ar e a água poluídos, com derramamentos de petróleo e com a destruição da natureza, as ações dessas pessoas mudaram políticas e leis e provocaram o surgimento do movimento ambiental moderno. Em poucos meses, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA foi criada e a Lei do Ar Limpo foi aprovada com apoio bipartidário.

Meio século depois, não estamos comemorando esse aniversário da maneira que esperávamos. Esperava-se que o ano de 2020 seria decisivo para avançar em relação ao clima, a biodiversidade e os oceanos, a partir de grandes cúpulas internacionais. Estávamos ansiosos por este Dia da Terra como uma oportunidade para cidadãos de todos os países se levantarem, celebrarem a natureza e exigirem mudanças. Imaginamos marchas, discursos empolgantes, ensinamentos, música e roupas coloridas.

Em vez disso, a maioria de nós está confinada em nossas casas, pois o mundo sofre com a pior crise econômica e de saúde em um século. Estamos vivendo uma tragédia humana, especialmente para aqueles que estão doentes ou perderam entes queridos, bem como para os milhões que perderam seus empregos e estão sofrendo financeiramente.

Como então devemos celebrar o 50° Dia da Terra? Quais são os objetivos pelos quais devemos lutar? A seguir estão cinco princípios pelos quais estamos trabalhando no World Resources Institute.

Primeiro, as pessoas

As crises não afetam todas as pessoas igualmente, como ilustra de maneira trágica a atual pandemia. São os pobres e vulneráveis ​​que são menos protegidos em termos econômicos e de saúde. O mesmo acontece com os danos ambientais. A mudança climática pode levar 100 milhões de pessoas à pobreza e 3 bilhões de pessoas já não têm água adequada. Devemos exigir um ambientalismo centrado nas pessoas, com ênfase especial para os mais vulneráveis. O mesmo se aplica às soluções para os problemas que enfrentamos. A escala de mudança necessária é enorme e essa mudança será disruptiva. A comunidade ambiental precisa se concentrar muito mais em como garantir uma transição justa e inclusiva e mitigar os impactos negativos aos trabalhadores que estão em maior risco.

Não é apenas uma transição. Deve ser uma transição justa.

<p>meninas em vilarejo do paquistão tomando água</p>

Meninas em Sind, no Paquistão, na fonte de água do seu vilarejo (foto: Russell Watkins/DFID)

Segundo, reconstruir melhor

Enquanto os líderes buscam recuperar economias em dificuldades, é fundamental não retomar as velhas formas de fazer negócios. Nos próximos 18 meses, serão lançados os maiores programas de recuperação da história do mundo – provavelmente entre US$ 10 e 20 trilhões. Seria trágico que esse dinheiro reconstruísse os mesmos caminhos desiguais, arriscados e com alta emissão de carbono do passado. Uma pesquisa realizada nesta semana no Reino Unido constatou que 91% da população não deseja voltar ao "normal", mas quer algo melhor. Com esses trilhões de dólares sendo desembolsados, os governos devem se concentrar na justiça e na construção de uma economia do futuro, não do passado. Após a crise econômica de 2009 e 2010, a Coreia do Sul foi um dos países que se recuperou mais rapidamente. Também direcionou a maior parte de seu estímulo (cerca de 69%) a medidas de baixo carbono e favoráveis ​​ao clima. Nos Estados Unidos, a Lei de Recuperação e Investimento de 2009 levou ao maior investimento em energia limpa na história do país e criou 900 mil empregos-ano (um "emprego-ano" é uma vaga de emprego mantida ao longo de um ano) em energia limpa entre 2009 e 2015.

Não se trata apenas de recuperar a economia, mas de redefini-la.

Terceiro, enterrar a economia do passado

Políticos à moda antiga dirão que custa muito caro enfrentar as mudanças climáticas. Essa é a economia do século passado. Economistas modernos têm demonstrado que políticas e investimentos inteligentes podem tornar a economia mais eficiente, promover novas tecnologias, reduzir riscos, criar mais e melhores empregos e desbloquear o crescimento econômico. A New Climate Economy mostrou que a ação climática inteligente pode render US$ 26 trilhões até 2030, com início imediato, criando 65 milhões de novos empregos e evitando 700 mil mortes prematuras até 2030. Em geral, a energia renovável cria muitas vezes mais empregos do que a indústria de combustíveis fósseis. Investimentos em eficiência energética e restauração florestal têm taxas de retorno fabulosas. E projetar cidades para pessoas em vez de automóveis geraria economias de US$ 3 trilhões.

Abandone a economia antiquada, abrace a versão inteligente e moderna!

Quarto, repensar o futuro

A crise atual nos lembra que somos mais vulneráveis do que imaginávamos, que enfrentamos riscos maiores do que compreendíamos e que nós não estamos preparados para enfrentá-los. O planejamento tradicional assume que o futuro é capturado em linhas retas e curvas suaves, e que pode ser compreendido como uma continuação das tendências do passado. Isso é tolice no mundo de hoje. Nós precisamos entender que estamos em território desconhecido, e aprender com aqueles que precisaram planejar para um futuro perigoso e imprevisível, como as nações formadas por pequenas ilhas. Nós precisamos olhar para o melhor da ciência e entender que reduzir riscos e se adaptar é muito mais importante agora do que era no passado. A ciência nos diz que, à luz de "feedback loops" que nós não entendemos ainda, os riscos que enfrentamos são realmente existenciais. Não há desculpas para uma resposta tímida.

Pare de planejar para maximizar o crescimento esperado. Comece a planejar para reduzir riscos e maximizar a resiliência.

Quinto, abraçar a cooperação internacional

Problemas globais exigem soluções globais. Infelizmente, nós não estamos vivendo em um mundo de cooperação neste momento. Por um curto período em 2015, nós tivemos um momento verdadeiro de ação coletiva e global quando os países do mundo concordaram com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e o histórico Acordo de Paris. Mas esse espírito rapidamente evaporou com o retorno de um nacionalismo do "eu primeiro". É de partir o coração a forma como esse fracasso em cooperar prejudica a todos. A crença de que a cooperação global é um jogo de soma zero está errada em todos os sentidos. Países que buscam avançar no bem comum global vão prosperar. Alguns governos estão avançando em fazer a coisa certa, assim como algumas empresas e ONGs. Nós precisamos apoiar as inúmeras coalizões engajadas em enfrentar as mudanças climáticas. Na ausência de um processo intergovernamental universal de sucesso, nós precisamos tentar abordagens plurilaterais. Os adiamentos da Conferência da ONU da Biodiversidade e da Conferência Global do Clima (COP 26) nos dá a chance de acertar. Dois terços dos americanos acreditam que o governo não está fazendo o suficiente para enfrentar as mudanças do clima. Nós precisamos exigir mais.

Não aceite um mundo baseado no "Dilema do Prisioneiro". Aja pelo bem global.

<p>criança olha para cima de roupa vermelha em cidade da Coréia do Sul</p>

Uma criança olha para um enorme globo terrestre em Incheon, na Coréia do Sul (foto: travel oriented/Flickr)

Um novo compromisso com o Dia da Terra

A história nos ensina que crises podem tanto unir quanto separar as pessoas. Estamos vendo atos notáveis de altruísmo e senso de comunidade na atual pandemia, o que nos dá motivos para ter esperança. É até mesmo possível que esse período trágico possa abrir portas para mudanças importantes. Nós poderíamos tirar algo de bom desta crise ao renovar o contrato social entre cidadãos, governos e empresas – para um fundado no compromisso de apoiar os mais vulneráveis, proteger os sistemas naturais, reduzir riscos e enfrentar ameaças comuns juntos.

No Dia da Terra, vamos nos comprometer com essa renovação.

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