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A trajetória dos 10 maiores emissores de carbono desde o Acordo de Paris em gráficos interativos

Muita coisa aconteceu desde que os países se encontraram em Paris, em 2015, e estabeleceram um acordo para combater as mudanças climáticas. Até aqui, mais de 189 países ratificaram ou se juntaram de alguma maneira ao Acordo Climático de Paris. Juntas, essas nações representam mais de 81% das emissões globais dos gases de efeito estufa; 93% assim que os Estados Unidos retornarem ao grupo. Em paralelo, 19 países – incluindo Estados Unidos, Japão, Canadá, Alemanha e México –, também elaboraram planos de longo prazo para descarbonizar suas economias.


À medida que os governos implementam metas e políticas e traçam rotas mais bem detalhadas para reduzir suas emissões de GEE, é importante compreender o cenário global das emissões e como ele muda ao longo do tempo. O gráfico interativo do Climate Watch explora as emissões por país e por setor econômico1 e mostra como os maiores emissores mudaram nos últimos anos:

1. Os 3 maiores emissores do mundo emitem 16 vezes mais do que os últimos 100

Os três maiores emissores de GEE – China, União Europeia e Estados Unidos – contribuem com 41,5% das emissões globais, enquanto os últimos 100 países na lista representam apenas 3,6%. Juntos, os dez maiores emissores são responsáveis por dois terços das emissões mundiais de GEE.

O mundo não terá sucesso na luta contra as mudanças climáticas sem ações significativas por parte dos dez maiores emissores.

2. O setor de energia é o maior emissor de gases de efeito estufa, mas ações em todas as áreas são importantes

Desde que começaram os registros, em 1990, o setor de energia – incluindo eletricidade, transporte, fabricação, construção, emissões fugitivas e outros combustíveis fósseis – permanece como o maior contribuinte para as emissões de GEE, acima de qualquer outro setor, representando 73% das emissões globais em 2017.


As emissões do setor de energia aumentaram 56% desde 1990. O crescimento, no entanto, desacelerou desde 2013, aumentando apenas 3,5% nos últimos cinco anos. Embora as emissões originadas por mudanças no uso do solo e atividades florestais (o terceiro maior setor) tenham variado ao longo dos anos, permanecem em um patamar relativamente alto.

Os outros setores continuam a registrar aumento nas emissões desde 1990, incluindo agricultura (12% de aumento, o segundo maior setor em emissões), emissões industriais (aumento de 180%, o quarto maior setor) e resíduos (crescimento de 16%, o quinto maior setor).

Evitar os piores impactos das mudanças no clima exige uma reversão dessa tendência em todos os setores, culminando na neutralidade de carbono até 2050.

3. Muitos dos maiores emissores estão desacelerando ou reduzindo suas emissões

Embora, no total, os maiores emissores tenham aumentado suas emissões em 47% desde 1990, Estados Unidos, União Europeia, Rússia e Japão já atingiram o pico desde então e o Brasil parece ter estabilizado as emissões. Embora China, Índia, Indonésia, Irã e Coreia do Sul ainda registrem crescimento de suas emissões, Índia e Indonésia têm uma taxa de emissões per capita relativamente baixa.


Dados mais recentes do Global Carbon Project, que cobre as emissões de dióxido de carbono relacionadas à energia, mostram que o crescimento das emissões desacelerou globalmente desde 2013, aumentando em média 0,7% ao ano, em comparação a uma média de 1,7% desde 1990. Essa desaceleração aconteceu mesmo com a economia global crescendo no mesmo período. Pelo menos 21 países já estão provando que é possível dissociar emissões e crescimento econômico. Ainda assim, as emissões ainda seguem uma tendência de alta, mostrando a necessidade de aumentar as ações climáticas para que possamos ver uma dissociação completa entre crescimento econômico e emissões de carbono.

Explore o Climate Watch

Para evitar os piores impactos das mudanças no clima, precisamos reduzir rapidamente as emissões e chegar a emissões líquidas zero até 2050. Dados sobre o clima são essenciais para entender as últimas tendências nas emissões e quais ações de curto e longo prazo dos países ajudarão a puxar a curva para baixo.

O Climate Watch, a plataforma de dados climáticos do WRI, oferece centenas de conjuntos de dados abertos que permitem visualizar o histórico das emissões de gases de efeito estufa de todos os países, regiões e setores para diferentes tipos de gases. A plataforma permite que os usuários analisem e comparem as contribuições nacionalmente determinadas (NDCs) e as estratégias de longo prazo atreladas ao Acordo de Paris, conheçam as políticas climáticas dos países, vejam como os governos podem elevar suas metas climáticas para atingir objetivos de desenvolvimento sustentável e usem modelos para mapear novos caminhos rumo a um futuro mais próspero e com menos carbono. Essas ferramentas podem lançar luz sobre quais mudanças precisam ser feitas e traçar uma rota para chegar a emissões líquidas zero.


  1. As três conclusões exploradas neste artigo são baseadas em dados de 2017 para todos os setores, incluindo uso do solo, mudanças de uso do solo e atividades florestais (LULUCF). O gráfico interativo circular, porém, não mostra as emissões LULUCF, uma vez que estas podem ser negativas. O gráfico circular também inclui dados preliminares para 2018, mas é importante considerar que as emissões da agricultura calculadas pela FAO serão atualizadas em dezembro de 2020. Acesse o Climate Watch para conferir um inventário completo de 2017 para todos os setores, tipos de gases e países, incluindo emissões LULUCF. ↩︎

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