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Por qualidade de vida e resiliência, cidades engajam população no plantio de árvores

Cidades da rede Cities4Forests têm estimulado o engajamento da população para atingir suas metas de arborização urbana. Mesmo fora dos limites da cidade, as florestas prestam serviços que vão da manutenção da água potável e proteção da biodiversidade ao sequestro de carbono. Dentro da zona urbana, há benefícios óbvios como o conforto térmico, a redução da poluição sonora e a melhora da qualidade de vida. Mas os desafios também são muitos, e é por isso que cada vez mais as cidades fazem dos cidadãos parceiros no plantio e no cuidado de mudas de árvores.

Tradicionalmente um ato simbólico frequente em datas comemorativas como o Dia da Árvore, a doação de mudas passa a se valer da conectividade dos meios digitais como uma forma de aproximar a população dos órgãos ambientais para o cuidado efetivo das florestas urbanas e dos benefícios que elas trazem à vida nas cidades.

Nas reuniões mensais do Cities4Forests, cidades como Salvador, São Paulo, Campinas, Porto Velho e Palmas trocam experiências ligadas às florestas urbanas, próximas e distantes. Um dos temas recorrentes são os programas de arborização e a importância do engajamento da população para o sucesso das iniciativas.

As ações das cidades têm em comum a atenção crescente dada a espécies nativas, levando em conta sua adequação ao plantio em diferentes contextos urbanos, onde danos à fiação elétrica e à pavimentação, por exemplo, são fatores importantes. O compartilhamento de práticas para engajar a população nos programas de arborização já rende frutos, como a criação do #DesafioVerde de Rio Branco.

Saiba mais sobre este exemplo da capital do Acre e iniciativas semelhantes de Salvador, Palmas e Porto Velho.

Salvando a Mata Atlântica na primeira capital federal

Salvador foi pioneira ao iniciar, em 2017, o Disque Mata Atlântica. Também conhecida como “Mata Atlântica Delivery", a iniciativa integra o programa Salvador Capital da Mata Atlântica, que busca tornar a cidade mais resiliente às mudanças climáticas até o seu aniversário de 500 anos, em 2049.

O Disque Mata Atlântica se soma à doação de mudas no Parque da Cidade, no Horto Municipal de Salvador e no Horto Sagrada Família, como forma de envolver e conscientizar a população sobre a importância das árvores – e a necessidade de cuidado compartilhado para as novas mudas.

Para aumentar as chances de as mudas sobreviverem e garantir o plantio em local adequado, a equipe leva as mudas à casa do solicitante e dá orientações sobre a espécie solicitada, o plantio e a manutenção da muda. Salvador também distribui mudas em eventos públicos. Desde que começou, o Disk doou cerca de 5 mil mudas. O número deve seguir crescendo em 2020.

Espécies como jenipapo, angio, ingá, pau-ferro, ipê-roxo, aroeira-da-praia e jacarandá – todas nativas do Bioma de Mata Atlântica – têm voltado a pipocar depois de quase 500 anos de desmate de um dos biomas mais impactados pela urbanização no Brasil – restam apenas 13% de sua cobertura original.

Desafio por uma Rio Branco mais verde

Rio Branco se inspirou na troca de experiências do Cities4Forests para criar o Desafio Verde em 2019. A iniciativa começou como uma ação de engajamento realizada pela Secretaria de Meio Ambiente (Semeia). Além de distribuir mudas de árvores nativas e espécies ornamentais, frutíferas e medicinais, a prefeitura criou a hashtag #desafioverde para que as pessoas compartilhassem fotos das mudas nas redes sociais.

Embora esteja em plena floresta amazônica, Rio Branco tem um índice de arborização inferior ao de cidades do Sul e do Sudeste. Além do sentimento de valorização da vegetação urbana, o incentivo à arborização busca melhorar a qualidade do ambiente com mais sombra e qualidade do ar.

O programa começou com foco em plantas ornamentais e distribuiu 20 mil mudas em 2019. A intenção é tornar a iniciativa permanente. Neste ano, serão 30 mil mudas. Cada pessoa poderá pegar um kit com até três plantas e um quilo de composto orgânico para preparar a terra em que a muda será plantada. As mudas podem ser plantadas em áreas privadas e públicas (em quintais, floreiras, vasos, em parques, praças, áreas de APP, entre outras).

Em Palmas, população é aliada pelo conforto térmico

Em novembro de 2019, em comemoração aos 30 anos do município e aproveitando o período de chuvas, Palmas lançou o programa de arborização Muda Clima com a meta de plantar 30 mil mudas ao longo de cinco meses. Uma das cidades mais quentes do país, a jovem capital do Tocantins encara a arborização de calçadas como uma estratégia para gerar conforto térmico e resiliência climática no futuro.

A Fundação Municipal de Meio Ambiente mantém há alguns anos um programa de doação de mudas que entrega até cinco mudas a cada dois meses para cidadãos interessados em realizar o plantio em área urbana. Com base no Plano de Arborização municipal, a cidade também desenvolveu um manual com orientações sobre a maneira correta de se escolher uma espécie para plantar na calçada de casa, os afastamentos a se observar entre o plantio e equipamentos como hidrantes e placas de sinalização, e os cuidados necessários durante e após o plantio para que a árvore prospere.

A partir das experiências e trocas no Cities4Forests, Palmas quer qualificar a iniciativa. Uma das expectativas é expandir os mecanismos para acompanhar o desenvolvimento das mudas, já que essa informação é fundamental para se monitorar o atingimento das metas. Para o diagnóstico do plano de arborização, algumas árvores foram georreferenciadas por espécies e localização em um aplicativo para Android desenvolvido por um aluno da Universidade Federal do Tocantins (UFT).

Porto Velho doa mudas pelo WhatsApp

Em Porto Velho, o serviço de doação de mudas atende por WhatsÁrvore. Começou em 2018 a iniciativa de nome espirituoso da Subsecretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema) de Porto Velho. Desde então, cidadãos podem enviar mensagens pelo WhatsApp para um número de telefone disponibilizado pelo órgão solicitando o plantio de árvores.

A iniciativa integra o Programa Cidade Mais Verde, que desde 2017 persegue meta de plantar 100 mil árvores até o final de 2020, e assim elevar a posição da capital rondoniense no ranking nacional de arborização urbana.

Engajar os cidadãos na meta e no cuidado com as árvores urbanas é um dos resultados esperados do plantio mediante solicitação. Os servidores realizam manutenção em mudas plantadas nas principais avenidas – nos demais locais, fica a cargo do solicitante da muda, seja regando em períodos de pouca água ou cuidando em períodos de chuvas muito fortes.

De ato simbólico a política pública

As cidades da rede C4F encaram com entusiasmo o desafio de elevar seus índices de áreas verdes, e todas têm intenção de manter, aperfeiçoar ou expandir os programas descritos acima.

As mudanças climáticas são um desafio para todas as cidades, que têm de se tornar mais resilientes para proteger as vidas e acolher a população urbana em crescimento – 70% da humanidade estará nas cidades em 2050. A relação da cidade com suas árvores e florestas é uma pauta que extrapola as secretarias de meio ambiente. Os programas podem ser atrelados a políticas públicas – por exemplo, incluídos nos Planos de Arborização Urbana que os municípios têm elaborado.

O engajamento da população é crucial para tornar efetivas as políticas de arborização, seja solicitando novos plantios, cuidando de mudas ou apoiando a prefeitura nessas ações. A vida da população é impactada diretamente e cotidianamente pela arborização, em relação à saúde física (áreas de lazer, esporte, sombra) e mental (qualidade ambiental e paisagística), mas também em relação à condição das calçadas e à iluminação.

No sentido de garantir que os plantios gerem os benefícios esperados, é preciso que tenham sucesso. Ferramentas de monitoramento são fundamentais – o Cities4Forests reuniu algumas delas em sua Toolbox (caixa de ferramentas). Trata-se de uma coleção de recursos para ajudar as cidades a incluir florestas, árvores e infraestrutura verde em suas tomadas de decisão, planejamento e investimentos.

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